
Pesquisadores da Universidade Estadual de Maringá (UEM) desenvolveram uma genética de tilápias capaz de reduzir o tempo de cultivo em 60 dias. O projeto PeixeGen, que completa 30 anos em 2027, elevou a produtividade nacional e domina cerca de 80% do mercado brasileiro de peixes de cultivo.
O que são as super tilápias e qual o diferencial do manejo?
São peixes que passaram por um processo de seleção genética para crescerem mais rápido e aproveitarem melhor a ração. Na prática, isso reduziu em dois meses (60 dias) o tempo que o peixe leva para atingir o peso de abate em comparação aos animais de 2005. Isso significa que o produtor economiza com comida para os peixes — que representa 80% dos custos — e consegue realizar mais ciclos de criação por ano.
Como é feito o processo de melhoramento genético desses peixes?
O trabalho utiliza os mesmos princípios aplicados no gado ou em grãos. Todos os anos, milhares de peixes são pesados e avaliados. Quando atingem cinco gramas, recebem um microchip que funciona como um RG. Esse chip permite que os pesquisadores acompanhem a 'árvore genealógica' de cada animal, evitando o cruzamento entre parentes e garantindo que a descendência seja cada vez mais forte e adaptada aos sistemas de produção.
Qual é a importância da linhagem GIFT para esse programa?
A linhagem GIFT (sigla em inglês para Tilápia de Cultivo Geneticamente Melhorada) é considerada uma das melhores do mundo. A UEM recebeu esse material genético da Malásia em 2005 e, desde então, vem desenvolvendo gerações adaptadas ao Brasil. Hoje, o programa já está na 16ª geração de peixes, resultando em um animal com rendimento de filé superior e maior resistência a doenças.
Qual o impacto dessa tecnologia no mercado brasileiro e no exterior?
O impacto é massivo: estima-se que 80% das tilápias produzidas no Brasil tenham algum grau de parentesco com a genética desenvolvida na UEM. Além de abastecer o mercado nacional, a tecnologia ultrapassou fronteiras, sendo exportada para países como Cuba e Uruguai. Isso coloca o Paraná e a universidade como referências internacionais em ciência voltada à produção de alimentos.
Como essa genética chega até o prato do consumidor final?
A universidade mantém o núcleo de melhoramento e distribui as 'matrizes' (os reprodutores) para empresas multiplicadoras e produtores de alevinos (peixes filhotes). Esses produtores espalham a genética superior por todo o país, garantindo que as pisciculturas trabalhem com animais certificados. O resultado final para o consumidor é uma oferta maior de filés de qualidade e com produção mais eficiente.
Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.





