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Dexametasona

HC já usa corticoide em casos graves de Covid-19 e estuda inclusão em protocolo

  • 16/06/2020 20:55
HC já usa corticoide em casos graves de Covid-19 e estuda inclusão em protocolo
| Foto: Divulgação CHC

O uso de corticoide para reduzir a inflamação de pacientes graves de Covid-19 já vinha sendo adotado no Hospital de Clínicas de Curitiba, em casos pontuais, antes mesmo da divulgação do resultado do estudo da Universidade de Oxford sobre a dexametasona – corticoide que apresentou redução em um terço na mortalidade de pacientes graves infectados pelo coronavírus. Com o resultado do estudo, o hospital já discute a inclusão do tratamento em seu protocolo institucional.

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“Por conta de sua atividade anti-inflamatória e capacidade de redução da lesão pulmonar, estávamos prescrevendo corticoide, de forma individualizada, para pacientes moderados e graves, na UTI, bem como alguns pacientes de enfermaria que necessitavam de oxigênio”, revela o médico do Serviço de Infectologia do hospital Giovanni Breda, citando que o HC vinha usando uma droga diferente da do estudo de Oxford (mas com os mesmos princípios), a metilprednisolona, e em uma dose maior do que a aplicada na pesquisa britânica. “Esse estudo mostrou a eficácia da droga com uma dose moderada: uma droga que está facilmente disponível, via oral e endovenosa, e que é barata; que conhecemos o perfil de risco e efeito colateral e que, na dose e tempo que se sugere a utilização [6 mg, uma vez ao dia, por 10 dias], parece seguro”.

Ressalvando que o hospital aguardará a disponibilização da íntegra do estudo para uma análise completa, Breda diz que o HC tende a incluir a prescrição da dexametasona no protocolo de tratamento para pacientes moderados e graves de Covid-19 com necessidade de oxigênio. “A Covid é uma doença bifásica: nos primeiros dias, ocorre o ciclo da replicação do vírus, e uma parte dos pacientes evolui para uma segunda fase, que é a de um componente inflamatório da doença, quando o vírus aciona a cascata inflamatória. Essa ativação da cascata inflamatória pode causar dano no tecido e na circulação pulmonar. E é exatamente nesta fase que o corticoide pode atuar”, explica. “Alguns pacientes evoluem para um quadro de pneumonia em organização e, para esse quadro, o corticoide estava sendo prescrito por sua capacidade de diminuir a inflamação e melhorar a lesão pulmonar”, acrescenta.

Para o infectologista o resultado do estudo de Oxford é a notícia positiva de maior impacto desde o início da pandemia. “Fazendo um paralelo com o remdesivir [antiviral], que é a outra medicação já autorizada, temos uma droga com resultado muito mais significativo na redução da mortalidade. O remdesivir teve uma tendência, sem significância estatística, na redução da mortalidade; seu maior impacto foi na redução de tempo para a melhora clínica. Além disso, ele é endovenoso, caro e não está amplamente disponível. Então o resultado de hoje tem um potencial muito significativo para o tratamento da doença em todo o mundo”, comenta, citando que os próximos estudos devem analisar o uso conjunto das duas drogas.

Breda cita que o HC passou a adotar o corticoide porque o perfil inflamatório da doença indicava que o medicamento poderia ter efeito positivo para conter a inflamação, “mas tínhamos receio porque, nos testes para influenza, por exemplo, os resultados foram ruins. Agora, temos um estudo muito grande e metodologicamente adequado para o contexto de pandemia, que nos dá segurança, indicando, ainda um padrão de dose bem claro, é muito significativo”, comenta.

O médico ainda cita que os efeitos colaterais do corticoide já são bastante conhecidos: retenção de líquidos, alteração no controle da glicemia, aumento na pressão arterial e aumento no risco de infecção bacteriana. “Mas, em uma dose moderada, como proposto no estudo, e tomando os devidos cuidados com pacientes diabéticos e hipertensos, por exemplo, o benefício esperado é maior que o risco”, diz, explicando, novamente, ser necessária a análise completa do estudo.

Apesar do otimismo quanto à divulgação do estudo, “é muito significativo, tanto que a Sociedade Brasileira de Infectologia já divulgou informe recomendando a prescrição”, o médico lembra que a dexametasona não é “o remédio para o coronavírus”. “É uma droga com grande potencial para reduzir a mortalidade. A população não pode ficar um pouco eufórica com a notícia de tratamento, relaxar nas medidas de proteção e correr atrás do medicamento nas farmácias. Precisamos lembrar que não é indicado para casos leves e não reduz a circulação do vírus. Se aumentar o número de pessoas se expondo, se infectando, podemos ter colapso do sistema de saúde e sequer conseguir oferecer o tratamento para quem precisa. É uma notícia boa, mas que não muda a realidade de contaminação”, conclui.

A médica intensivista do Hospital do Trabalhador, o hospital de referência de Curitiba para os casos de Covid-19, Mirella Oliveira, informou que o hospital ainda não utiliza corticoides no tratamento de seus pacientes e que discutiria ainda nesta terça-feira a possibilidade de adoção deste tratamento.

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    Neto

    ± 19 horas

    "O benefício é maior que o risco". Esse importante conceito da medicina vale para as nossas ações de todo dia, ainda mais agora na pendemia. Por exemplo, não se deve deixar de ir ao hospital para tratamento ou exames de doenças graves por medo da Covid.

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