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Risco de cassação

Juiz decreta afastamento de vereador de Curitiba por suspeita de “rachadinha”

Câmara de Curitiba confirma busca no gabinete do vereador Nogueira. A ação integra investigação sobre suposta rachadinha.
Vereador Lórens Nogueira (PP) é investigado por suspeita de "rachadinha" em Curitiba. (Foto: Divulgação/Câmara de Curitiba)

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A Justiça determinou, nesta quinta-feira (13), o afastamento cautelar do vereador Lórens Nogueira (PP) do cargo na Câmara Municipal de Curitiba (CMC) pelo prazo de 90 dias. O parlamentar é investigado pelo crime de concussão, na prática conhecida como “rachadinha”, que ocorre quando o agente público exige a devolução de parte ou da totalidade dos salários de assessores pagos com verba pública.

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A decisão judicial também proíbe Nogueira de frequentar as dependências da CMC e de manter qualquer tipo de contato com os envolvidos na investigação.

A apuração teve início após uma operação deflagrada em maio pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco). Na ocasião, agentes cumpriram mandados de busca e apreensão na residência, no gabinete e em endereços ligados ao vereador, onde apreenderam R$ 118 mil em espécie.

Após a ação do Gaeco, veio a público um vídeo que mostra o vereador recebendo cerca de R$ 5,6 mil em dinheiro vivo de uma servidora. Lórens nega o crime e alega que a quantia era referente ao pagamento de um empréstimo pessoal.

Comissão Processante vota pela cassação do vereador de Curitiba

Também nesta quinta-feira, a Comissão Processante da CMC votou pela cassação do mandato de Nogueira. O relator do caso, vereador Da Costa (Podemos), fez a leitura do parecer e afirmou que não havia margem para pena de suspensão ou de menor gravidade. Votaram a favor da cassação o presidente da comissão, vereador Serginho do Posto (PSD), e a vereadora Meri Martins (Podemos).

Com a conclusão desta etapa, o processo disciplinar será enviado à Presidência da Câmara, que convocará uma sessão plenária na qual os 38 parlamentares votarão se o vereador deve perder o mandato. A votação exigirá quórum qualificado: para que a cassação seja efetivada, são necessários os votos favoráveis de pelo menos 26 vereadores.

Vereador critica parecer pela redes sociais

A defesa de Lórens Nogueira, representada pelo advogado Jefferson Vilela, sustentou que o parecer da CMC foi formulado com base em “fragmentos” para justificar uma decisão previamente tomada. O defensor afirmou que o relatório apresentava “anemia de fundamentação”, sem "relação nenhuma" com os fatos apurados, e acusou o relator de usar o processo como “palanque político”.

Nas redes sociais, o vereador também se manifestou para criticar o parecer. “É com indignação que recebo esse parecer pela cassação do meu mandato. Depois de tudo o que foi produzido dentro dessa comissão, é muito difícil compreender como alguém pode chegar à conclusão de que a cassação é a resposta certa. Foram 17 testemunhas ouvidas e aqui está um dos pontos mais graves de todo esse processo: apenas uma delas era a denunciante. E quando essa denunciante, que nunca foi funcionária do meu gabinete, esteve diante da comissão e foi questionada se havia presenciado meus assessores devolvendo os salários ou sendo coagidos, ela negou”, declarou Nogueira.

Procurada pela Gazeta do Povo, a CMC informou que ainda não foi notificada pela Justiça.

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