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O anúncio do encerramento das atividades do Alto da XV Mall, em Curitiba (PR), provocou indignação entre comerciantes que ainda operavam no local. Segundo lojistas, cerca de 30 estabelecimentos receberam um telegrama extrajudicial concedendo prazo de 30 dias para desocupação do Alto da XV Mall, sem justificativa formal ou reunião prévia com a administração. O prazo para saída do espaço vence no dia 5 de março.
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Entre eles está a empresária Celi Lobo, proprietária de uma perfumaria instalada há 30 anos no empreendimento. A loja foi uma das primeiras a abrir as portas no antigo Polo Shopping - atual Alto da XV Mall - e permaneceu ativa após a pandemia de Covid-19 e a troca de gestão.
“Foi um telegrama simples e seco, dando 30 dias para desocupar, sem explicação nenhuma”, diz Celi. Segundo ela, até este ano as reuniões reforçaram a expectativa de novos contratos e operações que impulsionariam o fluxo de clientes no shopping.
Academia de alto padrão era aposta para aumentar movimento no shopping
De acordo com Celi, após a pandemia os antigos administradores devolveram a gestão do Alto da XV Mall ao proprietário do imóvel. Desde então, afirma, os lojistas teriam sido orientados a manter as operações sob a promessa de novos investimentos.
Um dos exemplos citados é a instalação de uma academia de alto padrão no prédio do Alto da XV Mall. “Foram mais de 12 meses de obras e a expectativa de que aquilo traria movimento para dentro do shopping”, relata. Segundo ela, o principal acesso da academia foi direcionado para a rua, o que não teria aumentado a circulação nas áreas internas.
A empresária Cleonice Teresinha Wasilkoski, que mantém uma loja de roupas no Alto da XV Mall desde a reinauguração do espaço, há cerca de cinco anos, também relata frustração. “Sempre diziam que havia contratos na mesa, que coisas boas iam acontecer, mas era tudo segredo”, afirma.
Segundo Cleonice, além das promessas não concretizadas, o shopping enfrentava problemas estruturais. “Tivemos blackouts, problemas de goteira, falta de manutenção. Não havia gerador, ar-condicionado adequado nem conforto para o cliente”, diz. Ela afirma ainda que a relação com a administração era marcada por rigidez contratual e pouca margem para negociação.
O lojista Rubens Malinovski, proprietário de uma loja multimarcas de moda masculina há cinco anos no Alto da XV Mall, também relata ter ouvido reiteradas promessas de expansão. “Sempre tinha contrato na mesa, mas nunca podia falar porque não estava fechado”, afirma. Segundo ele, ao longo desse período, três profissionais diferentes passaram pela área comercial do shopping, mas as negociações não avançavam.
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Notificação e impacto financeiro aos lojistas do Alto da XV Mall
Apesar de perceberem a queda no movimento e a saída gradual de lojas, Cleonice afirma que o prazo de 30 dias para desocupação do imóvel surpreendeu. “Não foi surpresa que algo pudesse acontecer, mas a forma como foi feita, sem diálogo, chocou”, diz.
Malinovski compartilha da sensação após ter recebido a notificação por telegrama extrajudicial. “A reação inicial foi estado de choque. Você tem que recalcular rota em 30 dias. É desumano”.
Ele conta que, incentivado pela própria administração, ampliou a loja para um novo espaço após o crescimento das vendas. “Disseram que queriam que fôssemos o case do shopping”, relata. Com a expansão, aumentou também o estoque e o planejamento financeiro. “O movimento caiu muito depois que começaram os rumores. O tombo foi grande.”
No caso da perfumaria, Celi diz que a loja se preparou para o Natal passado com reforço de estoque, mas registrou queda de cerca de 30% no faturamento. “Estou com mercadoria e boletos para pagar”, afirma. A maior preocupação, segundo ela, é manter a equipe de funcionários, alguns com mais de 10 anos de casa.
Cleonice afirma que também enfrenta dificuldades para liquidar o estoque em apenas um mês. “Não é um estoque que se liquida em 30 dias. Tenho boletos a pagar e rescisões trabalhistas que serão prioridade”, relata.
Parte dos lojistas busca novos pontos comerciais na região. Outros estudam medidas judiciais. Em comum, segundo os comerciantes ouvidos, está a sensação de falta de diálogo e previsibilidade no encerramento das atividades do Alto da XV Mall.
O que diz a administração do empreendimento
A reportagem da Gazeta do Povo entrou em contato com os responsáveis pelo Alto da XV Mall e encaminhou questionamentos sobre os motivos do encerramento das atividades. Até a publicação desta reportagem, não houve retorno. O espaço permanece aberto para manifestação da administração do Alto da XV Mall.









