
Ouça este conteúdo
Em meio ao avanço das articulações políticas para as eleições de 2026, o governo federal anunciou nesta quinta-feira (12), em Brasília, um pacote de R$ 2,08 bilhões em obras de infraestrutura e logística no Paraná - estado governado por Ratinho Junior (PSD), apontado como possível nome para concorrer na disputa presidencial de outubro. O anúncio ocorreu no Palácio do Planalto sem a presença do governador paranaense, que cumpria agenda no interior do Paraná.
Receba as principais notícias do Paraná pelo WhatsApp
Os investimentos contemplam projetos em rodovias, portos e aeroportos e fazem parte do Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Entre as iniciativas propagadas pelo governo Lula estão o início das obras do Contorno Sul Metropolitano de Maringá; a pavimentação do último trecho da BR-487, conhecida como Estrada Boiadeira; a ampliação do Aeroporto Regional de Maringá e a concessão do canal de acesso ao Porto de Paranaguá.
No caso do porto, o investimento é privado e não conta com recursos do governo federal - o leilão foi feito em outubro de 2025 e vencido por um consórcio belga-brasileiro. Durante a cerimônia, ministros destacaram o volume de recursos destinados ao estado e compararam os investimentos com períodos anteriores, colocando o apoio privado ao porto no mesmo pacote.
O ministro dos Transportes, Renan Filho, disse que apenas duas das obras anunciadas somam quase o total aplicado no Paraná ao longo de quatro anos no governo Bolsonaro. Segundo ele, a construção do Contorno Sul de Maringá e a conclusão da Estrada Boiadeira reúnem cerca de R$ 730 milhões em investimentos. “Se pegasse todo o dinheiro que era investido no governo passado, levaria quatro anos para terminar só essas duas obras”, alfinetou.
Já o ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, destacou o papel estratégico da infraestrutura logística do estado para o comércio exterior brasileiro. “O Porto de Paranaguá é estratégico para o agronegócio brasileiro e movimenta o maior volume de fertilizantes do país. Com a ampliação do calado e os investimentos em logística, vamos ampliar a capacidade de operações e fortalecer ainda mais o papel do porto no comércio exterior”, disse.
Governo federal altera convite na véspera com novo local e sem Ratinho Jr. como anfitrião
O anúncio de investimentos no estado do Paraná foi marcado por alterações nos convites, que foram disparados pelos ministérios dos Transportes e de Portos e Aeroportos para o evento. Originalmente, o contrato de concessão do canal de acesso ao porto de Paranaguá seria assinado na quarta-feira (11) com a participação do ministro Silvio Costa Filho, acompanhado do governador Ratinho Junior e pelo presidente da Portos do Paraná, Luiz Fernando Garcia.
No entanto, segundo a apuração da Gazeta do Povo, o ato foi cancelado na véspera do evento e transferido para a quinta-feira (12) no Palácio do Planalto, em Brasília. No novo convite, Costa Filho e ministro dos Transportes, Renan Filho, aparecem como anfitriões da “cerimônia de anúncio de investimentos do governo federal em rodovias, portos e aeroportos no estado do Paraná”.
O governo paranaense informou que Ratinho Junior já tinha agenda programada no interior do estado nas cidades de Londrina, Loanda, Paranavaí e Umuarama. Além disso, a alteração do local do evento teria impossibilitado o deslocamento de representantes do governo estadual e da Portos do Paraná, empresa que administra o setor portuário no estado.
Contorno viário em Maringá reorganiza a logística regional
Uma das principais obras anunciadas foi o Contorno Sul Metropolitano de Maringá, na BR-376. Com investimento de cerca de R$ 409 milhões, o projeto prevê aproximadamente 13 quilômetros de pista dupla, além de pontes, viadutos e dispositivos de segurança viária.
A nova ligação deve retirar parte do tráfego pesado da área urbana e melhorar a mobilidade em toda a região metropolitana. A expectativa é beneficiar diretamente municípios como Sarandi, Paiçandu e Marialva, além de reduzir congestionamentos e aumentar a segurança no trânsito.
Para o prefeito de Maringá, Silvio Barros (PP), a obra é considerada uma demanda histórica da região e deve trazer impactos diretos para a mobilidade e para a logística regional. “O Contorno Sul Metropolitano vai ajudar a retirar parte do tráfego pesado que passa pela área urbana de Maringá, especialmente caminhões que utilizam a BR-376 para atravessar a cidade”, afirmou.
Segundo ele, o novo traçado também deve facilitar o deslocamento entre cidades do noroeste paranaense. “Vai melhorar muito o trânsito de quem vai de Paranavaí para Campo Mourão, Cianorte e Paiçandu, sem precisar entrar em Maringá. Isso deve reduzir congestionamentos e aumentar a segurança viária”, disse.
Investimentos em infraestrutura no Paraná contemplam a Estrada Boiadeira
Outro projeto autorizado pelo governo federal foi a pavimentação do último trecho da BR-487, conhecida como Estrada Boiadeira, entre Serra dos Dourados e Cruzeiro do Oeste. Com investimento de R$ 321,2 milhões, o segmento de 37 quilômetros completa o corredor rodoviário que liga Campo Mourão à divisa com Mato Grosso do Sul.
A estrada é considerada estratégica para o transporte de grãos e insumos agrícolas em direção aos portos do Sul do país. Cerca de 3,6 mil veículos circulam diariamente pela via.

Para Umuarama, um dos municípios impactados pela rodovia, a conclusão do trecho deve resolver um problema antigo de tráfego urbano. Segundo o secretário de Gabinete e Gestão Integrada do município, Antonio Carlos Favaro, caminhões provenientes do Mato Grosso do Sul atravessam diariamente ruas e avenidas da cidade.
“A pavimentação da Boiadeira vai desafogar esse tráfego pesado e melhorar as condições do transporte, tanto do ponto de vista logístico quanto da segurança dos motoristas”, afirmou. Favaro, que acumula as pastas de Agricultura e de Indústria, Comércio e Turismo, avalia que a obra também deve fortalecer a conexão entre regiões produtoras e o Porto de Paranaguá.
“A pavimentação da Boiadeira vai consolidar a ligação entre regiões produtoras do Mato Grosso do Sul e do Centro-Oeste com centros de exportação via Porto de Paranaguá. Isso torna a região mais atrativa para investimentos”, avaliou.
Porto e aeroporto reforçam logística regional
O pacote anunciado pelo governo federal inclui a concessão do canal de acesso ao Porto de Paranaguá, com investimentos estimados em R$ 1,23 bilhão ao longo de 25 anos. O montante será bancado pelo Consórcio CCGD (Canal Galheta Dragagem), formado pelos grupos Deme e FTSPar.
A principal mudança prevista é o aprofundamento do canal para um calado operacional de 15,5 metros - atualmente de 13,3 metros - permitindo a operação de navios maiores e com maior volume de carga. Além de ser o primeiro leilão de concessão desse tipo no Brasil, o resultado do certame é visto como parâmetro para as próximas concessões em outros portos nacionais, incluindo o maior deles: Santos (SP).
A Portos do Paraná enfatiza que o aprofundamento do canal integra um conjunto de investimentos voltados à expansão da capacidade logística do complexo. Com a ampliação do calado, embarcações graneleiras que hoje deixam o porto com cerca de 78 mil toneladas poderão transportar até 125 mil toneladas de produtos agrícolas, como soja e milho, ampliando a eficiência das operações.
A autoridade portuária destaca que a concessão está diretamente conectada a projetos estruturantes em andamento no porto, como o Moegão e o novo Píer em “T”. O Moegão promete transformar a logística ferroviária do terminal. Atualmente, o Porto recebe cerca de 550 vagões por dia. Com a nova estrutura, a capacidade de descarga poderá chegar a 900 vagões diários, com esteiras que levam a carga diretamente para os terminais e navios.
Já o Píer em “T” prevê a construção de quatro novos berços de atracação e um aumento significativo na capacidade de embarque — o porto consegue carregar cerca de 3 mil toneladas por hora de grãos e farelos; com a nova estrutura, a previsão é alcançar até 8 mil toneladas por hora. Segundo a Portos do Paraná, o complexo portuário movimentou 73,5 milhões de toneladas em 2025, volume que anteriormente era projetado apenas para a próxima década.
Ao setor aeroportuário, o governo federal autorizou a licitação para reforma e ampliação do Aeroporto Regional de Maringá, com investimento de R$ 129,1 milhões. O projeto prevê a modernização do terminal de passageiros e da torre de controle, além da ampliação da área construída.

A expectativa é que o aeroporto, que movimentou cerca de 868 mil passageiros em 2025, possa atender até 1,3 milhão de pessoas nos próximos anos. Segundo o prefeito Silvio Barros, a modernização deve reforçar o papel do terminal como polo logístico regional.
“A ampliação e modernização do Aeroporto Regional de Maringá representam um passo importante para o desenvolvimento econômico da cidade. Com uma estrutura mais moderna, o aeroporto se consolida como um polo logístico e de serviços para toda a região”, afirmou.
VEJA TAMBÉM:












