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O médico Marcelo Loureiro entrou para o Guinness World Records após participar de uma telecirurgia robótica realizada entre dois países. O feito internacional reflete uma trajetória marcada por empreendedorismo, curiosidade e inquietude, características que acompanham o médico desde a infância e influenciam a atuação dele na medicina.
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Aos 55 anos, o cirurgião do aparelho digestivo, fundador da Scolla Centro de Treinamento Cirúrgico, em Campo Largo, Loureiro pensou em cursar física ou matemática, antes de seguir caminho na medicina, pois gostava de raciocínios lógicos, mecanismos, relações e soluções. Vendo o irmão mais velho estudar medicina, inspirou-se e seguiu o mesmo caminho.
Formou-se e fez residência na Universidade Federal do Paraná (UFPR), antes de especializar-se em cirurgia bariátrica e de hérnia. Loureiro conta que, quando estava saindo da residência médica, a cirurgia passava por uma revolução: a migração das grandes cirurgias abertas para procedimentos minimamente invasivos (videolaparoscopia). Enquanto muitos profissionais observavam a novidade com cautela, ele mergulhou nela.
Foi para a França, referência mundial na área e país de origem da família dele, onde passou um ano estudando o tema. Ao retornar ao Brasil, trouxe a técnica e uma convicção: a medicina muda o tempo todo e quem deseja permanecer relevante precisa continuar aprendendo.
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Scolla nasce da inquietação na formação médica
Entre as dezenas de mudanças que Loureiro viu na medicina, uma das últimas deixou-o curioso: o número de faculdades aumentou, a quantidade de médicos cresceu de forma acelerada e o último Enamed (Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica) comprovou: a qualidade da formação prática não acompanhou esse ritmo.
“Se existe uma profissão em que precisamos entregar o melhor profissional possível para a sociedade é a de cirurgião. Aqui não pode haver erro”, defende.
Assim surgiu a Scolla, no ano de 2022, um local em que médicos formados pudessem aprender novas técnicas, praticar procedimentos complexos e acompanhar a velocidade tecnológica em saúde. Antes de se tornar um dos maiores e mais conhecidos centros de treinamento cirúrgico da América Latina, recebendo de 700 a 800 médicos de diversas especialidades e nacionalidades por ano, o projeto começou modesto.
O ano era 2004, quando Loureiro criou um modelo de treinamento para cirurgiões. E o projeto funcionou durante 18 anos em uma universidade em Curitiba, até o médico decidir criar estrutura própria.
Tecnologia cirúrgica rompe 13 mil km e entra para o Guinness World
Quando Loureiro estudava na França, a ideia de operar alguém a milhares de quilômetros de distância parecia absurda. E foi então que a curiosidade que o acompanha rompeu barreiras. Nos últimos anos, o médico passou a viajar com frequência à China em busca de tecnologias para a área. Assim, trouxe a telecirurgia ao Brasil.
O conceito parece simples de explicar e complexo de executar: um médico opera um paciente localizado em outra cidade, estado ou país, utilizando um robô cirúrgico conectado por sistemas de internet de alta velocidade. Em 2025, essa tecnologia colocou o Paraná no centro das atenções da medicina mundial.
Uma cirurgia de hérnia inguinal realizada entre Curitiba e o Kuwait, a 13 mil quilômetros de distância, estabeleceu o recorde mundial de distância entre médico e paciente em uma telecirurgia robótica. O feito foi auditado pelo Guinness World Records. Meses antes, Loureiro e equipe haviam operado, de forma pioneira, entre Paraná e Paraíba, a 3 mil quilômetros de distância.
Apesar da repercussão internacional, ele evita tratar o assunto como um troféu pessoal. “Nós não fizemos isso para bater recorde. Foi para que mais pessoas se interessassem pelo tema. A tecnologia reduz distâncias e leva especialistas a pacientes que antes não tinham acesso. A questão não é recorde. É democratização do acesso à medicina”, afirma.










