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Para entender

Por que a obra do Moegão em Paranaguá corre o risco de ficar ociosa?

O Moegão do Porto de Paranaguá é uma das principais apostas de infraestrutura logística do Paraná para ampliar a competitividade do corredor de exportação. (Foto: Claudio Neves/Portos do Paraná)

A obra do Moegão no Porto de Paranaguá atingiu 95% de conclusão em abril de 2026. Com investimento de R$ 600 milhões, o projeto busca centralizar a descarga ferroviária para triplicar a eficiência, mas a falta de conexão com terminais privados pode atrasar o funcionamento pleno do sistema.

O que é o Moegão e qual o seu objetivo principal?

O Moegão é uma grande estrutura pública de recepção de cargas ferroviárias. Ele foi projetado para centralizar a descarga de trens no Porto de Paranaguá, eliminando a necessidade de várias manobras complexas que os trens precisam fazer hoje para entregar mercadorias em terminais diferentes. O objetivo é aumentar a participação do transporte por trens de 15% para 50%, permitindo descarregar até 180 vagões simultaneamente em três linhas independentes.

Por que existe o risco de a estrutura ficar sem uso imediato?

Embora a obra pública (a 'espinha dorsal') esteja quase pronta, o sistema só funciona se os terminais privados estiverem conectados a ele por esteiras. Atualmente, apenas o terminal da Cotriguaçu iniciou essas obras de interligação. Outros operadores ainda estão em fases de projeto ou licenciamento. Sem essas conexões finalizadas, o grão que chega pelo Moegão não tem como ser transportado para os silos de armazenamento dos terminais.

Qual é a previsão para que todo o sistema funcione plenamente?

A expectativa oficial é que a integração total de todos os terminais ocorra em um período de 12 a 14 meses a partir de março de 2026, o que projeta o funcionamento total para meados de 2027. Para garantir isso, novos contratos de arrendamento de áreas portuárias firmados a partir de 2025 já incluem a obrigatoriedade de conexão ao Moegão em até um ano após a conclusão da obra pública.

Como o projeto pretende reduzir o custo do frete no Paraná?

A administração portuária acredita que a eficiência tecnológica do Moegão produzirá um efeito econômico positivo. Como o sistema será mais rápido e moderno, a concessionária ferroviária poderá oferecer tarifas de frete mais baixas para quem utilizar a nova estrutura. Esse incentivo financeiro é a principal aposta para convencer terminais com contratos antigos, que não têm obrigatoriedade legal, a investirem na própria conexão.

Qual o papel das ferrovias e das concessões nesse cenário?

O Moegão foi desenhado para suportar o crescimento das ferrovias nas próximas décadas, como a renovação da Malha Sul e a futura Ferroeste. Atualmente, o gargalo não é a capacidade dos trilhos que descem a serra, mas a demora na descarga dentro do porto. Ao resolver a ineficiência local, Paranaguá se prepara para quando a capacidade ferroviária externa for ampliada, evitando que o porto se torne um ponto de travamento para a exportação paranaense.

Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.

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