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Para entender

Por que o café de Mandaguari se tornou um dos mais exclusivos do Brasil?

Café de Mandaguari une tradição familiar, qualidade reconhecida e orgulho de gerações no Paraná. (Foto: José Fernando Ogura/AEN-PR)

O café de Mandaguari, no noroeste do Paraná, conquistou o selo de Denominação de Origem em 1º de julho de 2025. O reconhecimento do Inpi valoriza a produção de cerca de 8 mil cafeicultores da região, que se destaca pela qualidade única dos grãos especiais e pelo impacto bilionário na economia estadual.

O que significa o selo de Denominação de Origem conquistado pela região?

A Denominação de Origem é um selo oficial que certifica que um produto possui qualidades únicas que só existem naquele lugar. No caso de Mandaguari, isso se deve ao 'terroir' — uma combinação de solo fértil (terra roxa), altitude acima de 600 metros e um clima com estações bem definidas. Esses fatores fazem com que o café amadureça de forma lenta, resultando em uma bebida naturalmente mais doce e equilibrada, impossível de ser replicada em outras localidades.

Quais cidades fazem parte desta área de produção reconhecida?

O reconhecimento do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (Inpi) abrange um cinturão produtivo no noroeste paranaense composto por seis cidades: Mandaguari, Jandaia, Cambira, Marialva, Apucarana e Arapongas. Juntas, essas cidades fortalecem a identidade do café paranaense, que tem recuperado espaço no mercado nacional e ajudado a economia do estado a superar novamente o patamar de R$ 1 bilhão em valor de produção anual.

Qual é o diferencial de sabor do café produzido em Mandaguari?

Para quem aprecia uma boa xícara, o café dessa região é conhecido por ser mais complexo e sofisticado. Ele apresenta notas florais e frutadas, sendo levemente mais cítrico, mas com um toque marcante de caramelo e chocolate. Essa 'caramelização' acontece naturalmente durante a torra, porque o grão preserva seus açúcares originais graças às condições geográficas privilegiadas da região.

Como funciona o mercado de cafés especiais para os produtores locais?

Produzir um café especial exige muito mais esforço; os grãos precisam ser colhidos apenas quando estão perfeitamente maduros, muitas vezes manualmente, um a um. Embora esse tipo de grão represente cerca de 15% a 30% da safra de cada fazenda, o retorno financeiro compensa. Enquanto uma saca de café comum é comercializada por cerca de R$ 2 mil, a saca do café especial chega a valer R$ 3,3 mil, valorizando o trabalho das famílias agricultoras.

Quem são as pessoas por trás dessa tradição cafeeira no Paraná?

A força do café em Mandaguari vem das pessoas: 85% dos produtores trabalham em regime de agricultura familiar. Existem famílias que estão na atividade há quatro gerações, mantendo viva uma tradição que começou há cerca de 100 anos. O título de 'Capital do Café', recebido pela cidade em 2012, reflete esse orgulho e a dedicação diária de produtores que veem na lavoura não apenas um negócio, mas a base de sustento de suas raízes.

Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.

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