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Para entender

Por que o pedágio free flow enfrenta resistência política no Paraná?

Pedágio eletrônico free flow enfrenta críticas e dificuldades de adaptação no novo modelo sem cancelas. (Foto: Victor Ramalho/Assessoria Parlamentar)

O sistema de pedágio eletrônico free flow registra falhas e gera batalhas judiciais no Paraná após sua implementação em fevereiro de 2026. Parlamentares e o setor de transportes questionam erros de cobrança e a falta de sinalização em trechos operados pela concessionária EPR Iguaçu.

O que é o sistema free flow e como ele funciona?

O free flow, ou 'fluxo livre', é uma tecnologia que elimina as tradicionais praças de pedágio com cancelas. A cobrança é feita de forma automática por meio de pórticos com câmeras e sensores instalados na rodovia, que identificam o veículo pela placa ou por uma etiqueta eletrônica (tag). O objetivo é dar mais fluidez ao trânsito e eficiência logística, mas o modelo exige que o motorista tenha atenção redobrada para realizar o pagamento em até 30 dias via site ou aplicativo.

Quais são as principais falhas relatadas pelos usuários?

Desde o início da operação no sudoeste paranaense, motoristas denunciam erros graves, como a classificação incorreta de veículos — um carro sendo cobrado como ônibus, por exemplo, elevando o valor de R$ 18,10 para R$ 68,80. Além disso, há reclamações sobre sinalização insuficiente, dificuldades para encontrar os canais de pagamento e a ausência de integração entre diferentes concessionárias, o que aumenta o risco de multas indesejadas por esquecimento ou confusão.

Por que deputados estaduais entraram na justiça contra a cobrança?

Um grupo de mais de 20 deputados protocolou ações pedindo a suspensão do sistema nos Lotes 4 e 6 das rodovias paranaenses. Eles alegam que a cobrança integral da tarifa fere a Lei Federal 14.157/2021, que prevê pagamentos proporcionais ao trecho percorrido. Os parlamentares também questionam a legalidade de termos aditivos feitos pela ANTT que permitiram a instalação dos pórticos eletrônicos sem previsão clara nos contratos originais ou estudos de equilíbrio financeiro.

Como o setor de transporte de cargas avalia a mudança?

O Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas (Setcepar) vê o modelo como positivo para a agilidade das entregas, mas está em alerta com o volume de autuações. A entidade defende que, nesta fase inicial, a fiscalização tenha um caráter educativo, orientando os motoristas em vez de apenas penalizá-los. Para as transportadoras, a prioridade agora é garantir segurança jurídica e transparência nos prazos de notificação para evitar prejuízos operacionais.

Qual é o índice de inadimplência e o que acontece com quem não paga?

No primeiro mês de funcionamento, cerca de 13% dos veículos que passaram pelos pórticos da EPR Iguaçu não registraram o pagamento, totalizando quase 6 mil motoristas inadimplentes. A empresa atribui o número à falta de familiaridade com o sistema. Quem não quita o débito no prazo de 30 dias corre o risco de ter o nome incluído em dívida ativa e sofrer as penalidades previstas no Código de Trânsito Brasileiro, como multas graves e pontos na carteira (CNH).

Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.

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