
Um relatório estratégico elaborado pela consultoria EY-Parthenon aponta riscos financeiros e operacionais no processo de privatização da Celepar. O documento sugere mudanças profundas na estrutura da empresa paranaense de tecnologia e a transferência de ativos críticos para o Estado.
O que é o Projeto Nex e qual o seu objetivo?
O Projeto Nex é um estudo técnico contratado pela Celepar por R$ 8,7 milhões para analisar o modelo de negócio da empresa e guiar sua desestatização. Elaborado pela consultoria EY-Parthenon, o relatório de 160 páginas detalha a situação atual da companhia e faz recomendações para atrair investidores privados, listando desde a reestruturação de equipes até o tratamento de dados públicos.
Quais mudanças na estrutura de funcionários o relatório sugere?
A consultoria indica que a Celepar tem uma operação pouco terceirizada e custos elevados em áreas como o departamento de Recursos Humanos. Enquanto o mercado tem um profissional de RH para cada 95 funcionários, na Celepar essa proporção é de um para 27. O estudo recomenda substituir pessoal direto por terceirizados em setores administrativos e jurídicos para reduzir custos fixos, embora a empresa negue planos de demissões em massa.
Por que o governo do Paraná precisaria retomar a posse de ativos da empresa?
O estudo revelou que bens essenciais, como o domínio de internet '.pr.gov.br' e a infraestrutura de fibra óptica de prédios públicos em Curitiba, pertencem à Celepar e não ao Estado. A recomendação é que esses ativos sejam transferidos para o controle direto do governo paranaense antes da privatização, garantindo que o Estado não perca o domínio sobre sua própria identidade digital e infraestrutura básica.
Quais são os riscos apontados sobre o uso de dados públicos?
A principal preocupação é como uma empresa privada acessará bancos de dados do governo para criar produtos de Inteligência Artificial. Entidades como a Fenadados alertam que informações valiosas dos cidadãos paranaenses podem ficar expostas. A Celepar rebateu, afirmando que qualquer operação seguirá rigorosamente a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e passará pelo crivo da Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD).
Como está o andamento atual do processo de privatização?
No momento, o processo está parado devido a uma decisão liminar do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), proferida em fevereiro de 2026. A expectativa é que o julgamento sobre a continuidade ou não da venda da companhia seja retomado em junho. Além das questões jurídicas, o relatório destaca que 82% do faturamento da Celepar vem de apenas oito contratos públicos, o que representa um risco financeiro para futuros compradores.
Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.





