
Gerson Palermo, líder do PCC com condenações de 126 anos, foi preso nesta terça-feira (26) em Santa Cruz de La Sierra, na Bolívia. Foragido desde 2020 após uma polêmica soltura, ele é peça-chave no narcotráfico internacional e protagonista de crimes históricos no Paraná.
Qual é o crime mais famoso cometido por ele no Paraná?
Em agosto de 2000, Palermo liderou o sequestro de um Boeing 727 da Vasp, que havia decolado de Foz do Iguaçu. Piloto experiente, ele obrigou o comandante a pousar em uma pista no norte do estado, onde a quadrilha roubou R$ 5,5 milhões do Banco do Brasil. O episódio é considerado um dos crimes mais ousados da história da aviação no país.
Como ele conseguiu fugir da prisão em 2020?
Palermo cumpria pena em um presídio de segurança máxima quando foi beneficiado por uma decisão judicial durante o início da pandemia. O argumento era de que ele possuía problemas de saúde. Apenas 40 minutos após a decisão, ele saiu com tornozeleira eletrônica, rompeu o equipamento e desapareceu. O juiz responsável pelo caso acabou sendo aposentado compulsoriamente pelo Conselho Nacional de Justiça.
Qual era a função dele dentro do crime organizado?
Ele é apontado como uma das principais lideranças do Primeiro Comando da Capital (PCC) na região de Mato Grosso. Palermo coordenava esquemas complexos de logística, utilizando aviões para trazer cocaína da Bolívia para o Brasil. A droga era descarregada no Mato Grosso do Sul e depois distribuída por carretas para diversos estados brasileiros.
Existem indícios de conivência de autoridades com suas atividades?
Sim. Documentos históricos do antigo Serviço Nacional de Informações indicam que, desde os anos 1980, Palermo recebia apoio de agentes de segurança para escapar e operar o tráfico. Há registros de sargentos da Aeronáutica expulsos por dar cobertura a seus voos e até o uso de aviões do governo estadual para intermediar encontros do criminoso com a imprensa enquanto ele estava foragido.
Como a polícia conseguiu localizá-lo agora?
A descoberta do paradeiro de Palermo ganhou força após um conflito familiar: em 2025, sua própria filha denunciou ter sido sequestrada por ordem do pai devido a disputas por dinheiro do tráfico. A partir daí, uma força-tarefa entre a Polícia Federal, o grupo Garras e autoridades bolivianas monitorou seus passos até efetuar a prisão em território estrangeiro.
Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.





