Encontre matérias e conteúdos da Gazeta do Povo
Sondagem industrial

Pessimismo com economia brasileira cresce entre industriais do Paraná

Mesmo com queda no otimismo, empresários da indústria do Paraná mantêm a busca por competitividade e produtividade.
Mesmo com queda no otimismo, empresários do Paraná mantêm a busca por competitividade e produtividade. (Foto: Gelson Bampi/Fiep)

Ouça este conteúdo

A Sondagem Industrial da Federação das Indústrias do Paraná (Fiep) chega à 30ª edição indicando um cenário de mais cautela do setor, em relação a 2026. Embora a maioria dos empresários mantenha expectativas positivas sobre o desempenho dos próprios negócios, cresce a percepção de que o ambiente econômico e político nacional impõem riscos à sustentabilidade desse otimismo.

Receba as principais notícias do Paraná pelo WhatsApp

Segundo a pesquisa, 55% dos industriais paranaenses se dizem otimistas em relação ao desempenho de suas empresas ao longo deste ano, queda de seis pontos percentuais em comparação com 2025. Já quando a avaliação recai sobre a economia brasileira, o quadro é mais negativo: 46% dos entrevistados esperam retração, aumento de três pontos percentuais em relação ao levantamento anterior.

A política nacional aparece como principal fator de influência para essa avaliação, citada por 61% dos representantes do segmento da indústria do Paraná, seguida pelo cenário macroeconômico e pela conjuntura internacional. A Sondagem Industrial foi realizada por meio de questionário eletrônico e obteve 738 respostas válidas de indústrias de todos os portes e regiões do Paraná.

Do total de participantes, 68% são relativos a micro e pequenas empresas, 27% de médias e 5% de grandes indústrias. Em termos estatísticos, o levantamento apresenta nível de confiança de 99% e margem de erro de 4,7%, segundo a Fiep.

Para o presidente do Sistema Fiep, Edson Vasconcelos, o resultado da Sondagem Industrial está mais associado à política e à economia nacionais do que a fatores locais. “O pessimismo está muito voltado à política nacional e à economia nacional. O Paraná ainda tem um cinturão verde, que é a nossa fortaleza nessa economia da segurança alimentar”, afirmou.

Segundo ele, no âmbito estadual, há políticas públicas que podem ajudar a reduzir os entraves ao crescimento da indústria. Entre as prioridades, Vasconcelos citou a ampliação da oferta de mão de obra e a melhoria da infraestrutura energética.

Vasconcelos ressaltou que o Paraná é um estado com taxa de emprego elevada e apontou que a logística é decisiva para manter a competitividade do setor industrial estadual. “Quando falamos de rodovias, portos e aeroportos regionais, estamos falando da capacidade de a indústria competir e trazer riqueza de fora para dentro do estado”, completou.

VEJA TAMBÉM:

Sondagem industrial aponta entraves estruturais ao crescimento

Além do ambiente macroeconômico, a Sondagem Industrial da Fiep detalha gargalos que afetam diretamente a competitividade do setor. A falta de mão de obra aparece como principal preocupação entre os empresários pessimistas, citada por 64% dos entrevistados, seguida pelos custos totais de produção (47%) e pela infraestrutura logística (44%).

O presidente da Fiep afirmou que a escassez de trabalhadores se soma a distorções provocadas por políticas assistenciais mal calibradas. “Em um estado com taxa de emprego elevada como o Paraná, precisamos aumentar a disponibilidade de mão de obra e combater fraudes. Fraude não se negocia. Fraude se combate”, declarou, ao defender políticas públicas que estimulem a inserção produtiva da população.

Apesar das incertezas, a maioria das indústrias planeja manter ou ampliar investimentos em 2026.Apesar das incertezas, a maioria das indústrias do Paraná planeja manter ou ampliar investimentos em 2026. (Foto: Gelson Bampi/Fiep)

Investimentos resistem com foco em eficiência na indústria do Paraná

Mesmo com o recuo nas expectativas, a Sondagem Industrial indica que os investimentos seguem como prioridade para grande parte do setor. De acordo com o levantamento, 84% das indústrias pretendem investir em 2026, embora esse percentual seja inferior ao registrado no ano anterior. Destas, 59% afirmam que investirão o mesmo ou mais do que em 2025.

O gerente de Desenvolvimento Industrial e Social da Fiep, Marcelo Percicotti, explicou que os dados revelam uma mudança de estratégia. “O empresário está olhando muito mais para dentro da empresa. Os investimentos estão concentrados em melhoria de processos, redução de custos e produtividade, o que mostra uma preocupação com objetivos de curto prazo diante de um ambiente externo mais incerto”, afirmou.

Essa busca por eficiência também se reflete nas ferramentas utilizadas para elevar a produtividade. Estratégias de melhoria do processo produtivo lideram, citadas por 75% dos entrevistados, seguidas por qualificação profissional (64%) e estratégias de gestão (36%). O uso de inteligência artificial dobrou em relação à edição anterior da Sondagem Industrial, alcançando 15% das respostas.

No comércio exterior, o cenário é mais cauteloso. Apenas 30% das indústrias pretendem exportar em 2026, queda de 17 pontos percentuais. Também diminuiu a intenção de importar, citada por 44% dos entrevistados. Para Vasconcelos, o resultado reflete um ambiente internacional instável e a baixa cultura exportadora do país. “O mundo está menos previsível. O capital precisa de estabilidade, e hoje o empresário encontra dificuldade para planejar no comércio internacional”, avaliou.

A pesquisa trouxe ainda um novo bloco sobre a Reforma Tributária. Sete em cada dez empresários afirmam não conhecer plenamente os impactos das mudanças, percentual que sobe para 76% entre micro e pequenas indústrias. Apesar disso, 55% acreditam que haverá redução da complexidade do sistema, enquanto 39% esperam efeitos positivos diretos para seus próprios negócios.

Para o presidente da Fiep, o levantamento revela um setor que segue disposto a investir e buscar produtividade, mas encontra limites impostos pelo ambiente institucional. “A confiança do industrial vem da resiliência: ele acorda cedo, busca novos mercados e investe em tecnologia. Mas a expectativa em relação ao cenário nacional é muito ruim. Quem entende o mínimo de economia percebe que esse modelo não se sustenta. A indústria precisa de previsibilidade, infraestrutura e política industrial séria para continuar gerando riqueza, emprego e desenvolvimento”, concluiu.

VEJA TAMBÉM:

Principais Manchetes

Receba nossas notícias NO CELULAR

WhatsappTelegram

WHATSAPP: As regras de privacidade dos grupos são definidas pelo WhatsApp. Ao entrar, seu número pode ser visto por outros integrantes do grupo.