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Construído nos anos 1990, viaduto no Contorno Leste pode deixar de ser símbolo de abandono

Enquanto milhares de veículos passam diariamente pela rodovia, a estrutura permanece à espera da função que deveria cumprir desde os anos 1990.
Enquanto milhares de veículos passam diariamente pela rodovia, a estrutura permanece à espera da função que deveria cumprir desde os anos 1990. (Foto: Roberto Dziura Jr./Governo do Paraná)

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Quase três décadas após ser erguido sobre o Contorno Leste, em São José dos Pinhais, um viaduto que nunca recebeu um único veículo pode, enfim, deixar de ser símbolo de desperdício e se tornar eixo estratégico de mobilidade urbana. Construída em 1998 pelo extinto Departamento Nacional de Estradas de Rodagem (DNER), a estrutura jamais foi concluída nem integrada ao sistema viário da cidade. Desde então, permanece como uma ponte que liga o nada a lugar nenhum.

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Agora, o governo do estado, por meio da Agência de Assuntos Metropolitanos do Paraná (Amep), iniciou estudos técnicos para avaliar as condições estruturais da obra. O investimento estimado para a conclusão é de cerca de R$ 18 milhões.

A prefeitura ficará responsável pelas vias de acesso, fundamentais para que a travessia cumpra a função de conectar regiões hoje separadas pela rodovia federal. Atualmente, moradores e trabalhadores que precisam se deslocar entre bairros como Roseira, Afonso Pena, além do Complexo Renault e a Avenida Rui Barbosa são obrigados a utilizar as rodovias BR-116 e BR-277.

Segundo a diretora do Departamento de Planejamento Territorial e Urbano do município, Beatriz Lemos, isso gera gargalos frequentes. “O deslocamento é feito, de forma obrigatória, pelas rodovias, que estão sujeitas a intenso fluxo rodoviário, congestionamentos frequentes e atrasos no atendimento de serviços essenciais”, afirma.

Ela explica que, com a implantação da ligação, as vias locais deverão assumir função de coletoras, exigindo reestruturação para absorver o novo volume de tráfego e melhorar a fluidez dos deslocamentos.

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A conclusão da estrutura criará uma alternativa de circulação no sentido leste–oeste do município, reduzindo a concentração de tráfego nas travessias existentes pela BR-277 e pela Rua Onofre Holthman. Hoje, essas passagens estão distantes entre si, o que obriga motoristas a percorrer trajetos mais longos.

“O viaduto permitirá a redistribuição dos fluxos e maior fluidez viária”, diz Beatriz. O projeto prevê ainda travessia em nível separado da BR-116 e implantação de ciclovia, para a segurança de pedestres e ciclistas.

Há, porém, preocupação com a possibilidade de atração de tráfego pesado para áreas residenciais. De acordo com a diretora municipal, essa questão está sendo avaliada no projeto viário, com foco na organização dos fluxos e na mitigação de impactos sobre bairros consolidados.

Para o secretário municipal de Urbanismo, Transportes e Trânsito de São José dos Pinhais, Lucas Pigatto, a obra nunca funcionou porque, à época de sua construção, não havia previsão de uso urbano. “Tratava-se apenas de uma obra em uma rodovia federal, sem previsão de uso urbano naquele momento”, afirma. Com o crescimento dos bairros do entorno, a necessidade da conexão tornou-se evidente.

Sem acessos concluídos, o viaduto liga apenas margens de uma rodovia e pode redesenhar a mobilidade entre regiões hoje separadasSem acessos concluídos, o viaduto liga apenas margens de uma rodovia e pode redesenhar a mobilidade entre regiões hoje separadas (Foto: Roberto Dziura Jr./Governo do Paraná)

Estrutura antiga passa por “exame” antes de receber veículos

Antes de qualquer intervenção definitiva, a Amep contratou uma empresa especializada para realizar ensaios técnicos e inspeções detalhadas. Segundo o diretor-presidente da agência, Gilson Santos, estruturas de concreto armado tendem a ganhar resistência com o tempo, mas podem sofrer redução na camada de proteção do aço interno.

“Como visualmente a estrutura não apresenta nenhum problema grave, é muito difícil que não seja aproveitável. O que pode e provavelmente vai ocorrer é a necessidade de reparos pontuais ou melhorias em função da idade do projeto”, afirma.

Como o viaduto nunca recebeu carga de veículos, também será avaliada a acomodação natural dos elementos estruturais. O maior desafio, segundo Pigatto, está nas desapropriações necessárias para implantação dos acessos - responsabilidade do município - e na articulação entre diferentes órgãos.

Sobre rodovia federal, a execução do viaduto caberá ao estado, enquanto as ligações viárias serão municipais, exigindo autorizações e alinhamento com a concessionária que administra o trecho. Se concluído, o viaduto deixará de ser lembrado como monumento ao improviso e poderá assumir papel estratégico na macromobilidade de São José dos Pinhais.

Para quem precisa “entrar no contorno” apenas para cruzar a cidade, a estrutura pode finalmente cumprir a função que deveria ter exercido desde o fim dos anos 1990: encurtar distâncias e devolver tempo aos moradores. Para o secretário Lucas Pigatto, a obra carregou uma expectativa frustrada da população.

As pessoas são obrigadas a entrar na rodovia para chegar ao centro da cidade e aos terminais de ônibus, por exemplo. Se o viaduto funcionar, vamos resolver essa dificuldade”, afirma.

À frente da avaliação estrutural, o diretor-presidente da Amep afirma que o objetivo é evitar novos erros. “Estamos fazendo um exame detalhado para saber exatamente com o que estamos lidando. Com isso, evitamos sustos no futuro e garantimos que a estrutura esteja apta para receber o trânsito de veículos”.

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