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Praça Osório.
Praça Osório.| Foto: Cesar Brustolin/SMCS

Circular por Curitiba é saber que, algumas quadras adiante, é certo que haverá um pedacinho de natureza esverdeando a cidade. Nem sempre grandes, essas mais de 900 praças e jardinetes estão pontilhadas pelos 75 bairros da capital paranaense, que completa 329 anos no dia 29 de março.

Enquanto espaço público, as praças podem ser homenagens e memoriais, pontos de cultura, um pedaço de natureza no meio da cidade ou uma área de lazer, com parques infantis e quadras poliesportivas.

A Revista Pinó fez uma seleção de dez praças que compõem a paisagem urbana de Curitiba, destacando espaços com diferentes histórias e funções.

Praça 29 de Março

Praça 29 de Março.
Praça 29 de Março. | Gazeta do Povo

A primeira da lista é uma homenagem à data de aniversário de Curitiba, claro. A Praça 29 de Março foi projetada por Jaime Lerner, à época arquiteto do IPPUC, e inaugurada em 1966. Suas formas são grandiosas: visto de longe, o conjunto de painéis, fontes de água e pouca arborização faz o logradouro inteiro parecer um monumento. As alturas construídas servem de obstáculos para os praticantes do esporte urbano parkour, e fazem com que a área, que foi de um clube de futebol no início do século 20, siga com a vocação desportiva. Há ainda uma quadra de basquete e um parquinho infantil. Em 1993, plantaram-se nove espécies de árvores na praça, cada uma para simbolizar as diferentes etnias que migraram compõem a cidade. É da lavra do artista Poty Lazzarotto o mural que narra a história de Curitiba desde 1693 até a década de 1970, feita em altos e baixos relevos.

Endereço: Rua Martim Afonso, entre as ruas Brigadeiro Franco e Desembargador Motta, Mercês.

Praça do Japão

Praça do Japão.
Praça do Japão.| SMCS

Entre duas vias rápidas da cidade, a Praça do Japão é uma pausa no cenário urbano acelerado. Inaugurada no início da década de 1960, foi criada para homenagear os imigrantes japoneses que chegaram em 1908 ao Paraná e que se estabeleceram no estado como agricultores. As 30 cerejeiras enviadas como presente do Império Japonês foram plantadas ao longo do logradouro, e florescem no inverno, pintando os gramados de cor-de-rosa. No pagode (tipo de construção japonesa) de três andares construído em 1996, há uma biblioteca, uma loja de souvenires, um espaço de tatame para cerimônia do chá e práticas de meditação. Na área externa, foram construídos lagos e canteiros ao estilo de jardim japonês, com esculturas de pedra como uma lanterna com 1,2 metro e uma representação de Buda.

Endereço: Av. Sete de Setembro com a Av. República Argentina, Água Verde.

Praça do Gaúcho

Praça do Gaúcho.
Praça do Gaúcho. | Daniel Castellano/SMCS

A Sorveteria do Gaúcho abriu na região do bairro São Francisco em 1955, dois anos depois de a prefeitura construir uma praça entre as ruas Nilo Peçanha e Desembargador Benvindo Valente. O registro com nome da praça foi oficializado por decreto em 1963, mas foi o apelido que pegou: pouca gente conhece a Praça do Gaúcho pela alcunha oficial de "Praça do Redentor". Até 1978, a praça era composta por brinquedos, caixa de areia, banca de jornal, mesas, bancos, floreiras e árvores. Naquele ano, uma pista bowl foi construída, e a praça passou a ser o destino certo dos skatistas, principalmente aos finais de semana. É um logradouro pouco arborizado se comparado às demais praças desta lista, e além do esporte, o espaço reúne parte dos amantes de boteco de Curitiba. Primeiro com o quinquagenário Bar Pudim, que fechou as portas definitivamente em 2020, e da década de 2010 em diante, com uma série de bares que abriram na Rua Nilo Peçanha.

Endereço: Rua Nilo Peçanha com a Rua Desembargador Benvindo Valente, São Francisco.

Praça Nossa Senhora de Salete

Praça Nossa Senhora da Salete.
Praça Nossa Senhora da Salete. | Pedro Ribas/SMCS

Próxima dos prédios dos poderes municipais e estaduais, no bairro Centro Cívico, a Praça Nossa Senhora de Salete é palco de eventos culturais – de shows a feiras gastronômicas – e ponto de encontro de manifestações políticas. Seu gramado é convidativo para encontros entre amigos aos finais de semana e como amortecimento de quem pratica slackline, esticando a corda entre os troncos de pinheiros, ipês e pau-brasil. É também o destino das passeatas – sejam elas de protesto ou entretenimento – que costumam ter seu ponto de concentração na Boca Maldita. Chegando à Nossa Senhora de Salete, protestantes ou zombie walkers descansam antes de se dispersarem.

Endereço: Av. Cândido de Abreu, defronte ao Palácio Iguaçu.

Praça da Espanha

Praça da Espanha.
Praça da Espanha. | Cesar Brustolin/SMCS

A Praça da Espanha foi inaugurada em 1956, deslocando a placa de bronze em homenagem ao artista Alfredo Andersen para outra área verde, a duas quadras dali. Desde o início dos anos 1950, o espaço foi o point boêmio da região com a chamada "turma da praça da Espanha". Décadas depois, o entorno da praça mudou, mas a vocação boêmia segue com os restaurantes e bares nas ruas que circundam a praça. Durante o dia, casais, grupos de amigos e famílias sentam-se sob as árvores para um piquenique. Nos anos 1990, a construção com fachada de pedra recebeu uma unidade do Farol do Saber, em que funciona uma biblioteca infantil, batizada em homenagem ao escritor espanhol Miguel de Cervantes.

Endereço: Al. Dr. Carlos de Carvalho, entre as ruas Fernando Simas e Coronel Dulcídio, Bigorrilho.

Praça Osório

Praça Osório.
Praça Osório.| Cesar Brustolin/SMCS

Um pequeno bosque no meio Centro, cortado por ruelas de petit pavê, pontuado por banquinhos em toda a sua extensão e um chafariz no meio do retângulo que a praça ocupa. A Praça Osório é uma das mais arborizadas de Curitiba, com 400 árvores plantadas em seus 12.700 metros quadrados. Tem um trânsito digno de formigueiro ao final do horário comercial e quando recebe as famosas feiras gastronômicas e de artesanato de Curitiba, no início das estações e em datas comemorativas como Páscoa e Natal. Em um de seus cantos, uma quadra poliesportiva, próximo da Boca do Brilho, projetada pelo arquiteto Manoel Coelho em 1993: um espaço com bancas de jornal, cafés e cadeiras para os engraxates polirem tantos sapatos que por ali passam.

Endereço: entre as ruas Voluntários da Pátria, Vicente Machado e Travessa Jesuíno Marcondes, Centro.

Praça Maria Polenta

Praça Maria Polenta.
Praça Maria Polenta.| Isabella Mayer/SMCS

Uma pequena licença poética aqui: esta praça é, na verdade, é um jardinete. Mas é de importância almanáquica para entender os traços comunitários que unem uma capital. Maria Trevisan Tortato era uma benzedeira que morava no bairro Água Verde e tratava de fraturas e luxações por vocação. Suas mãos desentortavam ossos até de atletas, e ficou conhecida por ter curado todo tipo de avaria ortopédica no início do século 20, quando hospitais e médicos eram raridade em Curitiba. Maria Polenta, como era conhecida, morreu em 1959, e teve sua imagem eternizada pelo escultor Erbo Stenzel em 1960.

Endereço: Rua Carneiro Lobo, esquina com as Avenidas República Argentina e Getúlio Vargas, Água Verde.

Praça da Colonização Menonita

Praça da Colonização Menonitas.
Praça da Colonização Menonitas. | Lucilia Guimarães/SMCS

Com 26 mil metros quadrados, a Praça Menonitas, como também é chamada, é a maior do bairro Boqueirão. Reúne quadras poliesportivas, incluindo duas de areia para vôlei e duas de areia para futebol, uma pista de caminhada de 600 metros, estrutura para alongamento, academia ao ar livre e parquinho infantil. Os colonos alemães menonitas chegaram ao Brasil em 1934 e se fixaram no Sul do Brasil. O Boqueirão é uma das áreas no Paraná em que o grupo se estabeleceu, construindo o primeiro colégio da região, igrejas para professar sua fé de denominação cristã, e também cooperativas agrícolas e pecuárias.

Endereço: Rua Paulo Setúbal, entre as ruas Antônio Kosovski e Major Theolindo Ferreira Ribas, Boqueirão.

Praça Generoso Marques

Praça Generoso Marques.
Praça Generoso Marques.| Ricardo Marajó/SMCS

A Praça Generoso Marques viu sua vocação mudar ao longo de pouco mais de um século. No final do século 19, era conhecida como Largo da Cadeia, e era pouco frequentada. Entre 1874 e 1913, foi onde funcionou o Mercado Municipal da cidade. A sede do poder municipal, inaugurada em 1917, de pé até hoje no centro do largo, foi projetada por Cândido de Abreu e tombada como patrimônio nacional pelo Iphan. O palacete neoclássico com um toque de art nouveau abrigou a Prefeitura de Curitiba até 1969. Entre 1974 e 2002, foi a vez de o Museu Paranaense funcionar no local, e desde então, o lugar mantém-se como um ponto cultural. No Paço da Liberdade, como foi rebatizada a construção, funciona um centro cultural, com biblioteca, salas de exposição, salas para encontros culturais, apresentações e uma cafeteria aos fundos, com vista para o Mercado das Flores.

Endereço: Rua Riachuelo, Centro. Próximo à Praça Tiradentes.

Praça Mário Eppinghaus

Praça Mario Eppinghauss.
Praça Mario Eppinghauss.| SMCS

Localizada próxima a um dos campus da Universidade Federal do Paraná no bairro Juvevê, a praça já foi destaque na mídia curitibana pelo alto envolvimento da comunidade em cuidar do seu espaço. O exemplo máximo é o da turma de basquete: há gerações, os atletas de fim de semana se organizam para fazer a manutenção da quadra, investindo por conta própria em pequenos reparos e ocupando o espaço com regras democráticas de uso. Além da quadra de basquete, há também pista de caminhada, quadra de futebol e quadra de areia para vôlei. A praça fica próxima de um pólo gastronômico e, por anos, foi o endereço de uma famosa feira gastronômica que agitava o bairro por dois dias inteiros.

Endereço: Rua Machado de Assis, entre as ruas José de Alencar e Almirante Tamandaré, Juvevê.

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