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“sob Nova direção”

Afundado em dívidas, Hospital Evangélico vai a leilão no dia 4 de maio

Sob intervenção da Justiça do Trabalho, hospital tem dívidas que giram na casa dos R$ 320 milhões; edital com as informações detalhadas do leilão será lançado até o dia 4 de abril

  • Eriksson Denk, especial para a Gazeta do Povo
Fachada do Hospital Evangélico de Curitiba | Aniele Nascimento/Gazeta do Povo/Arquivo
Fachada do Hospital Evangélico de Curitiba Aniele Nascimento/Gazeta do Povo/Arquivo
 
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Após três anos sob intervenção da Justiça do Trabalho, o Hospital Universitário Evangélico de Curitiba e a Faculdade Evangélica do Paraná vão a leilão no dia 4 de maio. A decisão da penhora, tomada pelo juiz Eduardo Milléo Baracat, da 9ª Vara do Trabalho de Curitiba, aconteceu no fim do ano passado.

Em janeiro deste ano, o magistrado determinou a avaliação de todos os bens materiais e imateriais do complexo. O processo já está em estágio final. O leiloeiro público Helcio Kronberg é o responsável por determinar o valor mínimo do leilão. As estimativas são mantidas sob sigilo para preservar a paridade dos interessados.

O juiz da 9ª Vara do Trabalho deve lançar o edital com todas as regras e detalhes até o dia 4 de abril. De acordo com Ladislau Zavadil Neto, administrador judicial da Sociedade Evangélica Beneficente (SEB), responsável pelo Hospital Evangélico, e o Ministério Público do Paraná (MP-PR), que acompanha o processo, a ideia é estabelecer uma transição gradual e natural em relação ao atendimento ao público em caso de sucesso no arremate. O leilão engloba ainda um plano de saúde, do qual a SEB tem 99% de participação.

O interventor, que assumiu o cargo em outubro do ano passado, lembra que o atendimento prioritário do hospital é com o público geral. “Nossa luta é pela continuidade do atendimento ao público. Somos muito fortes no SUS (Sistema Único de Saúde). Recebemos centenas de ônibus de várias regiões do estado e da Região Metropolitana. Esse tratamento continuado deve constar do edital”, afirma Zavadil.

Segundo o MP-PR, os promotores que acompanham o caso ainda vão apresentar à Justiça do Trabalho algumas condições para garantir a continuidade dos serviços de saúde.

O Hospital Evangélico atende de 25 a 30 mil pacientes por mês, em média de 1.100 por dia. De acordo com a mantenedora, 95% do atendimento é focado no SUS. O hospital é referência em processos de alta complexidade (tratamento de queimados, cirurgias bariátricas e plásticas, transplantes de órgãos) e atendimento emergencial.

Dívidas

De acordo com o interventor, as dívidas ainda giram em torno de R$ 320 milhões. Desse valor, cerca de R$ 170 milhões são pendências tributárias e R$ 140 milhões são trabalhistas. Há ainda inúmeras dívidas bancárias. “Elas estão sendo pagas. São R$ 2 milhões para os bancos todos os meses. Os fornecedores estão recebendo. Boa parte das ações trabalhistas antigas foi paga, mas entram novas ações. São preocupações dos funcionários, dos médicos. Ainda há quase 2 mil ações trabalhistas em trânsito”, afirma Zavadil.

O administrador judicial lembra que a dívida cresceu ao longo dos últimos anos e que atualmente também há dificuldades, como a retenção de parte do dinheiro da parcela mensal do SUS. O dinheiro do Ministério da Saúde é transferido para a prefeitura de Curitiba, responsável pelo repasse ao Hospital Evangélico. De fevereiro para março, por exemplo, faltam repasses de R$ 2,3 milhões, de acordo com Zavadil.

“Atrapalha porque o dinheiro é contado, são equipamentos, materiais, a folha de funcionários, médicos. Conversamos diariamente com a Secretaria Municipal da Saúde para ver se conseguem colocar as pendências em dia. Nós temos cumprido o contrato. Há alguns procedimentos mínimos para o repasse e temos feito todos os meses com esforço sobrenatural”, completa. Segundo o interventor, também há pendências de dezembro com a prefeitura. (clique e confira o que tem a dizer a prefeitura)

Ainda segundo Zavadil, o caso da médica Virgínia Soares de Souza também teve impacto na realidade financeira do hospital. A médica foi absolvida no ano passado em primeira instância da acusação de ter provocado a morte de sete pacientes da Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Segundo o interventor, as perdas foram de cerca de R$ 3 milhões por mês nos últimos anos, impacto de pelo menos R$ 180 milhões desde a denúncia, feita em 2013.

“Nós perdemos principalmente os clientes particulares e os planos médicos. E demoramos muito para recompor, teve um impacto muito grande na imagem do Hospital Evangélico. Agora, nos últimos meses, isso vem subindo. Hoje está na faixa de R$ 700 mil do faturamento do hospital. Até porque tem acontecido coisas muito positivas, como os investimentos na UTI neonatal, a liberação de R$ 6 milhões do governo federal para equipamentos”, afirma. Os planos e clientes particulares representavam cerca de 30% do faturamento do hospital na época. Atualmente, são menos de 5%.

Outro lado da Prefeitura

A Gazeta do Povo procurou a prefeitura de Curitiba para questionar sobre atrasos nos repasses. Em nota, a Secretaria Municipal da Saúde disse estar “rigorosamente em dia com os pagamentos a todos os seus prestadores no SUS Curitibano, inclusive o Hospital Universitário Evangélico de Curitiba”.

“Dos R$ 2,4 milhões que o hospital alega ter a receber até fevereiro deste ano, o montante real é de R$ 1,7 milhão que aguarda a transferência do Fundo Nacional de Saúde”, informou a secretaria.

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