Seu app Gazeta do Povo está desatualizado.

ATUALIZAR

Caro usuário, por favor clique aqui e refaça seu login para aproveitar uma navegação ainda melhor em nosso portal. FECHAR
PUBLICIDADE

Quadro negro

Delator relata propina paga a Ademar Traiano (PSDB), presidente da Assembleia

O dono da Construtora Valor, Eduardo Lopes de Souza, relatou pagamentos feitos ao deputado tucano, dois deles dentro da Assembleia

  • Fabiano Klostermann e Felippe Aníbal
Ademar Traiano (PSDB), presidente da Assembleia. | Jonathan Campos/Gazeta do Povo
Ademar Traiano (PSDB), presidente da Assembleia. Jonathan Campos/Gazeta do Povo
 
0 COMENTE! [0]
TOPO

O dono da Construtora Valor, Eduardo Lopes de Souza, afirmou em delação premiada firmada junto à Procuradoria Geral da República (PGR) que o deputado estadual Ademar Traiano (PSDB) – atualmente presidente da Assembleia Legislativa –foi beneficiado por dinheiro do esquema investigado pela Operação Quadro Negro. Em um dos pagamentos feitos ao político, o empresário relatou que Traiano, ao ver a mala com mais dinheiro do que tinha combinado de receber, teria reagido com a seguinte frase: “Não pode me dar mais?”.

Segundo o delator, uma reunião que definiu repasse de “caixa 2” a campanha de Traiano em 2014 foi realizada na casa do governador Beto Richa (PSDB), a 45 dias do pleito. Participaram do encontro, segundo Souza, o próprio Traiano, o então diretor da Superintendência de Educação (Sude), Maurício Fanini, e o governador. Na mesma ocasião, foi definido um repasse via doação não contabilizada também para a campanha de reeleição de Richa.

No texto de sua delação, o dono da Valor disse que foi instado pelo então diretor da Sude a doar para Traiano, pois outra empresa que tinha obras na Secretaria da Educação já tinha “ajudado” com R$ 50 mil. Souza então disse ter se comprometido a doar R$ 100 mil e fez a entrega no gabinete da liderança do governo na Assembleia Legislativa. Nesta entrega, no relato do delator, Traiano teria visto a mala com R$ 300 mil e pedido mais que o combinado, mas Souza disse que respondeu que o restante do dinheiro estava comprometido para a campanha de Richa.

LEIA MAIS:Delator afirma que Rossoni recebeu R$ 460 mil em propina dentro da Assembleia

Meses depois, em dezembro de 2014, Souza relata outro pedido de propina feito por Traiano, desta vez em um café num shopping de Curitiba. O pagamento, também de R$ 100 mil, foi feito segundo o delator também no gabinete da liderança do governo na Assembleia e seria utilizado para quitar dívidas de campanha. A promessa do deputado tucano a Souza foi de que ele seria o próximo presidente do Legislativo e poderia ajudá-lo.

O delator disse que foi demandado por Traiano também em fevereiro de 2015, desta vez sob a alegação de que a empresa do filho estava com problemas de caixa. Mais R$ 100 mil foram pagos a ele, segundo o relato do dono da Valor. Em abril daquele mesmo ano, delatou Souza, o então já presidente da Assembleia teria sido procurado por causa de atrasos nos pagamentos à construtora. Após a regularização dos repasses, foram pagos mais R$ 100 mil ao tucano, desta vez com entrega na casa dele, com o dinheiro acondicionado em caixas de vinho.

Além do pagamento de caixa 2 à campanha do governador, o delator também detalhou o pagamento de “mesada“ a Richa, que tinha como objetivo financiar a campanha dele ao Senado em 2018.

Eduardo Lopes de Souza é um dos denunciados no principal processo derivado da Quadro Negro e estava em prisão domiciliar até o mês passado, quando foi liberado pela Justiça para se mudar para Cuiabá, no Mato Grosso.

Relação próxima com o esquema

Segundo Eduardo Lopes de Souza, além de ter recebido recursos de propina da Valor, Ademar Traiano virou um dos principais interlocutores do delator junto ao governo após a deflagração da Operação Quadro Negro. Em um dos trechos da delação, o dono da Valor relata que o deputado - já presidente da Assembleia - ficou responsável por “resolver” o problema para o governo estadual. E que manteve contato com ele em várias ocasiões, cerca de uma vez por mês. Nesse meio tempo, Traiano teria prometido, segundo Souza, que o governo iria providenciar os recursos para que a Valor contratasse uma outra empresa para concluir as obras e assim cumprir um acordo costurado com a Procuradoria-Geral do Estado (PGE).

CAIXA ZERO:Delação da Quadro Negro complica futuro de Beto Richa e pode mudar eleição

Outro lado

Traiano emitiu uma nota em que disse repudiar “veementemente as acusações infundadas e sem provas apresentadas pela reportagem” e disse que não tem “conhecimento sobre a delação, que não foi homologada e corre em segredo de Justiça”.

Richa também se manifestou por meio de nota, que segue na íntegra:

“O governador Beto Richa classifica as declarações do delator como afirmações mentirosas de um criminoso que busca amenizar a sua pena. Tais ilações sequer foram referendadas pela Justiça. E suas colocações são irresponsáveis e sem provas. O governador afirma que nunca teve qualquer contato com o senhor Eduardo Lopes de Souza e sequer fez ou pediu para alguém fazer qualquer solicitação a essa pessoa para a campanha eleitoral de 2014. Todas as doações eleitorais referentes à eleição de 2014 seguiram a legislação vigente e oram aprovadas pela Justiça Eleitoral.

O governador lembra ainda que foi a própria Secretaria de Estado da Educação que, em abril de 2015, detectou disparidades em medições de algumas obras de escolas e abriu auditoria interna sobre o caso. De imediato, o governador determinou a demissão de todos os envolvidos. As informações levantadas internamente também foram repassadas à Polícia Civil, Ministério Público e Tribunal de Contas do Estado para que tomassem as medidas cabíveis. É importante salientar ainda que a Polícia Civil do Paraná investigou e prendeu os suspeitos na denominada Operação Quadro Negro, a qual jamais teve qualquer tipo de informação antecipada.

Cabe lembrar ainda que, conforme despacho do governador Beto Richa, a construtora Valor e seus responsáveis foram punidos administrativamente pelo Governo do Estado. Nesse despacho do governador, a empresa foi declarada inidônea para participar de licitações com a administração púbica e foi aplicada uma multa de R$ 2.108.609,84.

Seguindo determinação do governador, a Procuradoria Geral do Estado também entrou com ações civis públicas na 1.ª, 4.ª e 5.ª Varas da Fazenda Publica por dano ao erário contra a construtora Valor e pessoas ligadas à empresa, incluindo o senhor Eduardo Lopes de Souza. Os pedidos de indenização pelos danos causados ao Estado somam R$ 41.091.132,80. Há ainda ações de improbidade administrativa contra os envolvidos, que também buscam ressarcimento dos cofres públicos. Ou seja, todas as medidas cabíveis foram tomadas para reparação e ressarcimento do erário público e punição dos envolvidos”.

Fanini não foi localizado para comentar a delação. À RPC, ele disse que não se manifestaria.

o que você achou?

8 recomendações para você

deixe sua opinião

PUBLICIDADE

mais lidas de Política

PUBLICIDADE