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A Polícia Federal afirmou ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que identificou indícios de que o perito criminal João Cláudio Nabas criou dois arquivos com referências aos ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli a partir de dados extraídos do celular do banqueiro preso Daniel Vorcaro, dono do liquidado Banco Master. Segundo a investigação, além de produzir os documentos, o servidor também teria sugerido a colegas da corporação que o conteúdo fosse vazado à imprensa.
Segundo uma apuração do Estadão publicada nesta sexta-feira (3) e confirmada pela Gazeta do Povo, as conclusões fazem parte do inquérito aberto por determinação de Mendonça para apurar o vazamento de informações sigilosas obtidas no aparelho de Vorcaro. A investigação levou ao cumprimento de mandado de busca e apreensão contra Nabas em maio, durante a 7ª fase da Operação Compliance Zero, e resultou no afastamento do perito de suas funções por suspeita de violação de sigilo funcional.
“De fato criou os documentos relacionados aos magistrados e a análise dos metadados e conteúdos de tais manuscritos reforçaram os indícios de que Nabas organizou e repassou à imprensa os dados sigilosos referentes às informações sobre os ministros do STF encontrados no celular apreendido de Daniel Vorcaro”, relatou a Polícia Federal na representação enviada a Mendonça.
A Gazeta do Povo procurou a Polícia Federal e os gabinetes de Moraes e Toffoli para se pronunciarem sobre a nova apuração e aguarda retorno. A reportagem também busca contato com a defesa de João Cláudio Nabas, o espaço segue aberto para manifestação.
Os investigadores também registraram que Nabas procurou nos dados “supostos elementos desabonadores de Ministros desta Suprema Corte, com o intuito comprovado de publicizar tais informações por meio da imprensa nacional”. A Polícia Federal ressalta que o inquérito não investiga jornalistas nem busca identificar fontes protegidas pelo sigilo constitucional, concentrando-se exclusivamente na suposta conduta de servidores públicos.
Especialista em crimes financeiros, Nabas passou a integrar a equipe da Operação Compliance Zero em novembro do ano passado. Registros internos da corporação indicam que ele acessou a extração do celular de Vorcaro em 1º de dezembro e, três dias depois, produziu os arquivos intitulados “Moraes.pdf” e “Toffoli e esposa.pdf”.
Os documentos reuniam diálogos e menções aos ministros encontrados no conteúdo do aparelho apreendido. Um dos arquivos incluía trechos de um contrato de R$ 129 milhões firmado entre o Banco Master e a advogada Viviane Barci, esposa do ministro Alexandre de Moraes.
Depoimentos de policiais federais que participaram da investigação afirmam que, após elaborar os documentos, Nabas sugeriu que o conteúdo fosse divulgado à imprensa. Segundo os relatos, a equipe recusou a proposta e informou que não faria contato com jornalistas, mas o perito teria insistido na divulgação antes de encaminhar um segundo arquivo, também sem identificação.
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Um dos policiais afirmou que Nabas realizou a análise remotamente a partir de Vilhena (RO) e enviou, em 5 de dezembro de 2025, um documento com mensagens extraídas do celular de Vorcaro. Na sequência, encaminhou um áudio propondo que as informações fossem repassadas à imprensa, iniciativa que voltou a ser rejeitada pelos demais integrantes da equipe.
O segundo documento reunia informações relacionadas ao ministro Dias Toffoli e à ex-esposa Roberta Rangel, incluindo referências ao resort de luxo no interior do Paraná que o magistrado era sócio junto dos irmãos, e que negociou cotas societárias com um fundo de investimentos ligado ao pastor e empresário Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro e apontado como operador da fraude financeira supostamente comedida através do Banco Master. Parte desse material foi posteriormente utilizada pela Polícia Federal em um pedido apresentado ao STF envolvendo a suspeição do ministro.
Nabas foi retirado da equipe da Operação Compliance Zero e teve os acessos aos materiais da investigação bloqueados. A Polícia Federal também destaca que ministros do Supremo somente podem ser formalmente investigados mediante autorização da própria Corte, em razão do foro por prerrogativa de função previsto para integrantes do tribunal.








