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O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) rebateu a decisão do governo dos Estados Unidos de abrir uma nova investigação sobre possíveis casos de trabalho forçado no Brasil, alegando que o país mantém compromisso com acordos internacionais e políticas rígidas para combater qualquer forma de exploração laboral.
A apuração da gestão do presidente Donald Trump envolve cerca de 60 países que exportam produtos ao mercado norte-americano. O objetivo das autoridades americanas é verificar se mercadorias enviadas aos Estados Unidos foram produzidas com uso de trabalho forçado ou práticas consideradas abusivas nas relações de trabalho.
“Ninguém tem mais compromisso de combater trabalho forçado do que o governo brasileiro, o governo federal”, disse Alckmin neste sábado (14) durante uma agenda no Distrito Federal.
Alckmin afirmou que o Brasil mantém políticas de fiscalização e combate à exploração da mão de obra e que segue possui instrumentos para enfrentar eventuais irregularidades.
Caso sejam confirmadas irregularidades na produção de mercadorias destinadas ao mercado americano, a investigação poderá resultar em sanções comerciais. Entre as medidas avaliadas está a imposição de novas tarifas sobre produtos de países que, segundo os Estados Unidos, adotem práticas consideradas desleais no comércio internacional.
A abertura da investigação ocorre em meio a episódios recentes de atrito diplomático entre Brasil e Estados Unidos. Um deles ocorreu na última sexta (13), em que o Ministério das Relações Exteriores cancelou o visto do conselheiro norte-americano Darren Beattie por, supostamente, ter fornecido informações falsas sobre a visita que faria ao país nesta semana.
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O próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) admitiu ter proibido a entrada de Beattie no Brasil.
“Aquele cara americano que disse que vinha pra cá, pra visitar o Jair Bolsonaro, ele foi proibido de visitar e eu o proibi de vir ao Brasil, enquanto não liberar os vistos do ministro da Saúde, que está bloqueado”, declarou Lula em um evento no Rio de Janeiro.
Em nota à Gazeta do Povo, o Itamaraty confirmou a revogação do visto de Beattie por falta de informações sobre a viagem que faria ao Brasil, inicialmente para participar de um evento sobre terras raras.
“O Itamaraty confirma a revogação do visto, tendo em conta a omissão e falseamento de informações relevantes quanto ao motivo da visita por ocasião da solicitação do visto, em Washington. Trata-se de princípio legal suficiente para a denegação de visto, de acordo com a legislação nacional e internacional”, confirmou.
Beattie viajaria ao Brasil na próxima semana para participar do Fórum Brasil-EUA de Minerais Críticos, um dos pontos que o governo brasileiro vem discutindo com o norte-americano em meio às negociações para a visita de Lula a Trump até o final deste mês.
O assessor do presidente norte-americano aproveitaria a viagem para encontrar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que está preso no 19º Batalhão de Polícia Militar do Distrito Federal. O ministro chegou a autorizar a visita, mas a revogou nesta quinta (12) após apontamentos feitos pelo ministro Mauro Vieira, das Relações Exteriores.












