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Crise com os EUA

Amorim acusa EUA de ignorar regras ao indicar embaixador ao Brasil

Celso Amorim
Assessor de Lula para assuntos internacionais classificou procedimento como "bizarramente" contrário às normas internacionais. (Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil)

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O assessor especial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para assuntos internacionais, Celso Amorim, acusou os Estados Unidos de desrespeitarem regras diplomáticas ao avançarem com a indicação de Daniel Perez para a embaixada americana no Brasil sem a autorização formal do governo brasileiro.

A acusação foi feita nesta quarta-feira (12) durante uma audiência na Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional da Câmara dos Deputados, em que o ex-chanceler classificou o procedimento como “bizarramente” contrário às normas internacionais.

“O que aconteceu bizarramente nesse caso é que os Estados Unidos não seguiram de maneira nenhuma as convenções internacionais. Primeiro, eles deram publicidade antes da concessão do agrément e, talvez mais grave, eles prosseguiram com o processo dentro do Senado americano sem ter o agrément brasileiro. Este é um comportamento totalmente contrário às regras internacionais”, afirmou.

Segundo Amorim, a Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas determina confidencialidade ao processo e que o nome do indicado só deve ser divulgado depois da anuência do país que irá recebê-lo. Ele também questionou o momento escolhido pelo governo de Donald Trump para preencher o cargo, que está sem um embaixador titular desde janeiro de 2025.

“Isso não aconteceu por acaso. Os Estados Unidos ficaram mais de um ano e meio sem embaixador aqui. Quer dizer, logo que saiu o governo [Joe] Biden, a embaixadora saiu e ficou um ano e meio [sem]. Pareceu que o Brasil não tinha importância, ficava aqui o encarregado de negócios. De repente, na proximidade das eleições, às pressas, sem nosso consentimento, quis acreditar um outro embaixador”, disparou.

A indicação de Daniel Perez ampliou a tensão entre Brasil e Estados Unidos e ganhou novo peso depois que Washington revogou o visto da embaixadora brasileira no país, Maria Luiza Ribeiro Viotti. A medida foi vinculada pelo governo americano à demora brasileira em conceder o agrément ao indicado.

Perez já recebeu o aval de uma comissão do Senado americano, mas ainda precisa ser aprovado pelo plenário da Casa. Mesmo que consiga a confirmação nos Estados Unidos, ele não poderá assumir a embaixada em Brasília sem a concordância formal do governo brasileiro.

A disputa ocorre ainda em meio à preocupação do governo Lula com uma possível interferência estrangeira no processo eleitoral brasileiro. Amorim citou a tentativa de dois funcionários do Departamento de Estado americano de visitar o Brasil para questionar a transparência e a integridade do sistema eleitoral, mas os vistos foram negados pelo governo brasileiro.

O assessor ainda citou outros indícios que acredita terem sido levantados pelos Estados Unidos como caráter político e de pressão sobre o Brasil, como o novo tarifaço de 37,5% a produtos brasileiros, as críticas ao Pix, questionamentos sobre a regulação das plataformas digitais, entre outros.

Apesar do agravamento das divergências, Amorim afirmou que Brasil e Estados Unidos possuem uma relação histórica de cooperação e que diferenças políticas não deveriam se sobrepor aos interesses permanentes das duas nações.

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