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O assessor especial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para assuntos internacionais, Celso Amorim, acusou os Estados Unidos de desrespeitarem regras diplomáticas ao avançarem com a indicação de Daniel Perez para a embaixada americana no Brasil sem a autorização formal do governo brasileiro.
A acusação foi feita nesta quarta-feira (12) durante uma audiência na Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional da Câmara dos Deputados, em que o ex-chanceler classificou o procedimento como “bizarramente” contrário às normas internacionais.
“O que aconteceu bizarramente nesse caso é que os Estados Unidos não seguiram de maneira nenhuma as convenções internacionais. Primeiro, eles deram publicidade antes da concessão do agrément e, talvez mais grave, eles prosseguiram com o processo dentro do Senado americano sem ter o agrément brasileiro. Este é um comportamento totalmente contrário às regras internacionais”, afirmou.
Segundo Amorim, a Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas determina confidencialidade ao processo e que o nome do indicado só deve ser divulgado depois da anuência do país que irá recebê-lo. Ele também questionou o momento escolhido pelo governo de Donald Trump para preencher o cargo, que está sem um embaixador titular desde janeiro de 2025.
“Isso não aconteceu por acaso. Os Estados Unidos ficaram mais de um ano e meio sem embaixador aqui. Quer dizer, logo que saiu o governo [Joe] Biden, a embaixadora saiu e ficou um ano e meio [sem]. Pareceu que o Brasil não tinha importância, ficava aqui o encarregado de negócios. De repente, na proximidade das eleições, às pressas, sem nosso consentimento, quis acreditar um outro embaixador”, disparou.
A indicação de Daniel Perez ampliou a tensão entre Brasil e Estados Unidos e ganhou novo peso depois que Washington revogou o visto da embaixadora brasileira no país, Maria Luiza Ribeiro Viotti. A medida foi vinculada pelo governo americano à demora brasileira em conceder o agrément ao indicado.
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Perez já recebeu o aval de uma comissão do Senado americano, mas ainda precisa ser aprovado pelo plenário da Casa. Mesmo que consiga a confirmação nos Estados Unidos, ele não poderá assumir a embaixada em Brasília sem a concordância formal do governo brasileiro.
A disputa ocorre ainda em meio à preocupação do governo Lula com uma possível interferência estrangeira no processo eleitoral brasileiro. Amorim citou a tentativa de dois funcionários do Departamento de Estado americano de visitar o Brasil para questionar a transparência e a integridade do sistema eleitoral, mas os vistos foram negados pelo governo brasileiro.
O assessor ainda citou outros indícios que acredita terem sido levantados pelos Estados Unidos como caráter político e de pressão sobre o Brasil, como o novo tarifaço de 37,5% a produtos brasileiros, as críticas ao Pix, questionamentos sobre a regulação das plataformas digitais, entre outros.
Apesar do agravamento das divergências, Amorim afirmou que Brasil e Estados Unidos possuem uma relação histórica de cooperação e que diferenças políticas não deveriam se sobrepor aos interesses permanentes das duas nações.








