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Crise partidária

Boulos reconhece que saída do PSOL para o PT pode comprometer futuro do partido

Guilherme Boulos
Atual partido de Boulos pode sofrer punições da cláusula de barreira se perder Boulos e outros líderes. (Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil)

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O ministro Guilherme Boulos, da Secretaria-Geral da Presidência, reconheceu que sua possível saída do PSOL para o PT pode comprometer o futuro da atual legenda, que deve perder importantes quadros e sofrer alguma penalidade da cláusula de barreira. Isso ocorre dias depois de uma dissidência do partido criticá-lo fortemente pela mudança, alegando que ele estaria abrindo mão dos princípios da sigla para se juntar ao grupo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Boulos diz que sua possível saída será decidida até o dia 4 de abril, prazo limite para mudanças partidárias antes do registro de candidaturas. De acordo com ele, o debate interno envolve uma avaliação estratégica sobre o papel da esquerda no país e a necessidade de ampliar sua base eleitoral.

“Nós não acreditamos em uma esquerda que pregue só para convertido, não busque disputar maiorias na sociedade e não põe o pé no barro. Esse não é modelo de esquerda que a gente defende”, afirmou em entrevista ao UOL na noite de segunda (23).

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Apesar disso, Boulos reconheceu o peso político do PSOL e admitiu que uma saída em bloco pode ter consequências graves para a legenda. A eventual debandada dificultaria o cumprimento da cláusula de barreira, colocando em risco a estrutura partidária.

“Uma saída do nosso grupo agora praticamente inviabilizaria a existência institucional do PSOL. [...] Com todas essas lideranças saindo, a dificuldade do partido de ultrapassar a cláusula de barreira se tornaria ainda maior, talvez quase como uma inviabilidade”, completou.

A movimentação ocorre em meio a uma crise interna no PSOL, agravada após uma ala dissidente divulgar uma carta criticando a possível migração de Boulos e aliados para o PT. O grupo acusa o ministro de ter construído um discurso favorável à federação partidária como estratégia para justificar a saída.

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No documento, a dissidência afirma que a decisão de mudança teria sido tomada ainda no fim do ano passado e questiona a condução política do processo. O texto também sugere que a tentativa de federação com o PT teria servido como narrativa para evitar desgaste da saída de Boulos.

A proposta de federação defendida por Boulos não teve apoio unânime dentro do partido e encontrou resistência de lideranças relevantes, como a deputada federal Sâmia Bomfim e Luiza Erundina (PSOL-SP) e Glauber Braga e Chico Alencar (PSOL-RJ), que votaram por seguir na federação com a Rede Sustentabilidade.

A divergência expôs um racha interno e ampliou a tensão entre correntes do PSOL. No entanto, mesmo com essas disputas internas, o partido decidiu manter apoio à reeleição do presidente Lula parte da estratégia do que classifica como enfrentamento à direita no cenário político nacional.

Boulos, que se filiou ao PSOL em 2018, ganhou projeção nacional ao disputar a presidência da República e, posteriormente, a prefeitura de São Paulo em duas ocasiões.

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