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Crise no Oriente Médio

Brasil não deve aderir ao Conselho da Paz de Trump, diz Amorim

Lula e Celso Amorim
Assessor de Lula para relações exteriores afirma que estatuto do conselho deixa dúvidas sobre real atuação de Trump. (Foto: Fábio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil)

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O assessor especial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para relações exteriores, Celso Amorim, afirmou que o Brasil não deve aderir à proposta do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de criação de um Conselho da Paz. O modelo apresentado no convite enviado aos países representa, na visão dele, uma tentativa unilateral de reformar a Organização das Nações Unidas (ONU), algo que considera inaceitável.

Amorim afirmou que a proposta carece de clareza e mistura conceitos distintos, o que gera insegurança sobre seus reais objetivos. Para ele, uma iniciativa desse tipo só faria sentido se fosse resultado de uma resolução aprovada no âmbito da ONU.

“Seria preciso saber a opinião dos próprios palestinos e de outros países árabes. A própria carta (do conselho proposto por Trump) é confusa, porque começa a falar de uma coisa e depois vai alargando no documento anexo. Representa, na prática, uma revogação da ONU, sobretudo na área de paz e segurança”, afirmou em entrevista ao jornal O Globo nesta quinta (23).

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O Conselho da Paz de Trump foi apresentado mais cedo durante a participação dele no Fórum Econômico Mundial de Davos, na Suíça, com a presença de líderes de outros países que já aderiram ao plano – entre eles o aliado argentino Javier Milei.

Para Celso Amorim, o estatuto do conselho sequer menciona Gaza de forma explícita, abrindo margem para atuação em qualquer conflito internacional.

“Seria como um Conselho de Segurança, só que com um presidente praticamente permanente. Até agora, os países europeus não aceitaram”, destacou.

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Outro detalhe duvidoso citado por Amorim é a ausência de espaço para negociação ou ajustes no texto apresentado. De acordo com ele, Trump afirmou que não aceita emendas e que o documento está mais como um “contrato de adesão”, o que dificulta qualquer debate diplomático.

“Se fosse possível separar as duas coisas, aí vamos ver. Mesmo assim, não é automático. É preciso conversar, ver se isso interessa aos próprios palestinos e a outros países”, completou.

Apesar das críticas, Amorim descartou a ideia de que o convite seja uma armadilha direcionada especificamente ao Brasil, visto que Lula e Trump são de campos ideológicos opostos e tiveram rusgas nos últimos anos. Isso, porquê, a proposta foi enviada a outros países, como França e Itália.

“Obviamente, Trump tem uma visão de relações internacionais em que ele é sempre a figura central. Mas não me cabe fazer um julgamento sobre isso”, pontuou.

Até o momento, o presidente Lula não tomou uma decisão definitiva sobre a participação do Brasil no Conselho da Paz proposto pelos Estados Unidos. Fontes do governo indicam que há dúvidas relevantes, principalmente pela falta de consulta à população do território envolvido sobre seu próprio futuro.

O governo brasileiro também avalia que a proposta pode enfraquecer o papel da ONU na governança global. Embora Lula defenda uma reforma do organismo internacional, a posição do Planalto é de que isso deve ocorrer por meio do diálogo multilateral, e não por iniciativas unilaterais.

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