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Após críticas de Lula

“Se o Brasil quer substituir o dólar, boa sorte”, diz ex-embaixador dos EUA

Lula criticou o dólar em posse de Dilma Rousseff como presidente do Banco do Brics, na China (Foto: EFE/EPA/ALEX PLAVEVSKI)

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O ex-embaixador dos Estados Unidos no Brasil Thomas Shannon avalia que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) está "repetindo a narrativa da China" sem "obter algo importante para os interesses do Brasil" e que o Brasil "deve ter cuidado com o que diz" em relação à guerra na Ucrânia e "se apresentar como neutro" no conflito.

Em entrevista ao jornal O Globo, publicada nesta sexta-feira (14), ele também disse que o dólar é uma moeda global pelo "poder da economia americana", ao comentar a declaração de Lula nesta quinta-feira sobre usar outras moedas para financiar relações comerciais entre os países do Brics (bloco que reúne Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul).

"O dólar não é uma moeda global porque os EUA o impuseram, é uma moeda global pelo poder da economia americana, e pelo papel da economia americana no sistema financeiro e na ordem econômica global. Se o Brasil, a China ou os Brics querem substituir o dólar, OK, vão em frente. Que moeda vão usar? A moeda chinesa, a brasileira? Ok, boa sorte com isso", disse.

Shannon também avalia que o Brasil está cometendo erros em relação à aproximação com a China, embora reconheça a importância do país asiático para a economia brasileira. "O Brasil deve se apresentar como um país que define seus interesses, que articula esses interesses, e não parecer subserviente com ninguém. Hoje vejo o Brasil repetindo a narrativa da China, sem necessariamente obter algo importante para os interesses do Brasil".

O diplomata ainda criticou a aproximação do Brasil com a gigante chinesa de tecnologia Huawei, investigada nos EUA por espionagem. Ele aponta que a Huawei pode usar estruturas de redes de comunicação para ter acesso a informações, que podem ser repassadas para o governo da China. "É uma decisão que cada governo deve fazer. Nós deixamos claras nossas preocupações sobre segurança, confidencialidade".

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