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O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, afirmou que caberá ao Supremo Tribunal Federal (STF) decidir se há motivo para afastar o ministro Dias Toffoli da relatoria das investigações sobre o Banco Master após a descoberta de mensagens do celular do banqueiro Daniel Vorcaro com citações ao magistrado. Segundo ele, a análise sobre eventual impedimento é exclusiva do Judiciário e não compete à corporação.
Isso porque, na véspera, veio a público a informação de que o próprio Andrei entregou em mãos ao presidente do STF, Edson Fachin, um dossiê de quase 200 páginas sobre as mensagens encontradas no celular de Vorcaro envolvendo Toffoli, como conversas entre eles e citações de pagamentos e convite para festa. O magistrado negou as informações e as chamou de “ilações”.
“Isso é uma questão técnica. Não é uma questão legal, jurídica, e não compete à Polícia Federal arguir qualquer questão que não seja da sua competência. Isso o próprio Supremo, creio eu, saberá analisar, se for o caso de analisar, no momento oportuno”, afirmou Andrei em entrevista ao jornal O Globo publicada nesta quinta (12).
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Andrei Rodrigues também negou haver qualquer conflito institucional com Toffoli por causa das decisões tomadas desde que assumiu a relatoria do processo, em novembro do ano passado, como a imposição de um sigilo absoluto, pedido de acareações e centralização de provas, fora do que é habitualmente realizado pela Polícia Federal.
“Não há estranhamento nenhum. Cada instituição tem a sua função, e a autoridade desse processo é o ministro relator, que tem o seu entendimento na maneira de conduzir e tomar as decisões. O que nos compete é cumpri-las ou recorrer, e argumentar pela questão que acharmos técnica”, pontuou.
Ele ainda ressaltou que a investigação sobre a negociação envolvendo o Banco Master e o Banco de Brasília (BRB) deve ser concluída em até 60 dias, dentro da hipótese criminal definida na abertura do inquérito. Já outros elementos encontrados durante as apurações poderão gerar novas frentes de investigação e serão encaminhados ao foro competente.
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Entre eles estão as transações suspeitas entre o Master e fundos ligados à gestora Reag, que Andrei afirma serem “mais amplas” do que aparentam. Ele defendeu que a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) tenha atuação mais firme e afirmou que qualquer indício de envolvimento de político será enviado ao STF.
“É importante separar a eventual relação que qualquer pessoa tenha com qualquer outra pessoa e não criminalizar a relação de um empresário e de um banqueiro com um político”, disse. Ele reforçou que “o fato de as pessoas se relacionarem não é crime” e que a investigação busca exclusivamente a apuração de ilícitos.
O diretor lembrou ainda que há outro inquérito em curso no STF com foco mais abrangente, envolvendo suspeitas de fraude no sistema financeiro e gestão fraudulenta de fundos.
“É a maior investigação contra o sistema financeiro”, afirmou, ressaltando que os valores investigados chegam à casa dos bilhões.








