
O acirramento do conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã neste início de março de 2026 expõe visões de mundo opostas entre o presidente Lula e o senador Flávio Bolsonaro, consolidando a política externa como um dos pilares centrais da disputa eleitoral pela Presidência.
Qual é a posição de Lula sobre os recentes ataques ao Irã?
O governo Lula condenou a ofensiva militar coordenada por Estados Unidos e Israel em território iraniano. A gestão petista defende uma solução puramente diplomática e multilateral, rejeitando ações militares que não tenham o aval explícito da Organização das Nações Unidas (ONU). Essa postura segue a tradição brasileira de pregar a não intervenção e a autodeterminação dos povos, embora críticos apontem que o discurso pacifista acaba beneficiando regimes autoritários.
Como Flávio Bolsonaro reagiu ao posicionamento do governo?
O senador Flávio Bolsonaro classificou a nota oficial do governo brasileiro como inaceitável. O parlamentar defende um alinhamento total ao eixo formado por Washington e Tel Aviv, justificando que a liberdade e a democracia devem estar acima da neutralidade. Para ele e seus aliados, o abalo da teocracia iraniana é positivo para a segurança internacional e para o combate ao terrorismo, reforçando valores da civilização ocidental.
Como os pré-candidatos estão organizando suas agendas internacionais?
Flávio Bolsonaro iniciou uma ofensiva no exterior para construir pontes com a direita global, visitando os Estados Unidos, Europa e Oriente Médio, onde se reuniu com o premiê Benjamin Netanyahu. Já o presidente Lula reduziu o ritmo de viagens internacionais para focar em pautas domésticas e acordos comerciais pontuais, tentando manter canais abertos com Donald Trump para tratar de temas como minerais raros e parcerias contra o crime organizado.
O que significa ser declarado 'persona non grata' no caso de Lula?
Ser declarado 'persona non grata' significa que o presidente Lula não é bem-vindo em Israel. Isso ocorreu após ele comparar as ações militares israelenses em Gaza ao Holocausto. A declaração causou uma grave crise diplomática, resultando na convocação do embaixador brasileiro para reprimenda. Esse desgaste é explorado pela oposição para mostrar Flávio Bolsonaro como o candidato capaz de restaurar as relações com o Estado judeu.
Por que a política externa virou um ativo para a eleição de 2026?
Especialistas avaliam que a disputa deixou de ser apenas sobre economia local e segurança pública. A capacidade de um candidato em traduzir a geopolítica em benefícios concretos, como abertura de mercados e parcerias estratégicas, virou um diferencial. Enquanto Lula aposta na causa dos países emergentes (Sul Global), a direita busca legitimação com grandes democracias liberais e o mercado financeiro internacional, tentando evitar uma imagem de submissão.
Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.









