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Plano bilionário

Compra de supercomputador para plano estatal de IA atrasa por falta de infraestrutura

Supercomputador Santos Dumont
Novo supercomputador será alternativa mais potente ao Santos Dumont, em uso atualmente no país. (Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil)

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O governo federal adiou a compra do supercomputador que será a base do Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA), que tinha previsão do edital ser lançado em outubro de 2025. A nova previsão é para o fim de março ou início de abril por causa de problemas de infraestrutura e definição do local onde a máquina será instalada.

O projeto é conduzido pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e é considerado a principal peça do plano nacional para ampliar a capacidade tecnológica do país. O supercomputador deve custar cerca de R$ 1,8 bilhão dentro de um pacote maior de aproximadamente R$ 23 bilhões em investimentos até 2028.

“O prédio precisa suportar uma carga por centímetro quadrado muito grande. Não é qualquer data center que pode hospedar um equipamento dessa natureza”, explicou Henrique Miguel, secretário de Ciência e Tecnologia para Transformação Digital do MCTI, em entrevista ao Poder360 publicada neste domingo (15).

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O atraso ocorreu principalmente porque o governo precisou rever o local de instalação da estrutura, que precisa ser robusto para abrigar o equipamento. A primeira opção analisada era o Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC), em Petrópolis, no Rio de Janeiro, mas o espaço foi descartado por causa do alto custo de energia e das limitações da rede elétrica.

Atualmente, a principal alternativa estudada pelo governo é instalar a máquina em um data center da Telebras, em Brasília, que possui infraestrutura elétrica mais robusta e fica em terreno pertencente à União.

Hoje, o principal supercomputador científico em funcionamento no Brasil é o Santos Dumont, também instalado no LNCC. O equipamento é utilizado por universidades e centros de pesquisa para simulações complexas em áreas como previsão climática, estudos de energia e modelagem biológica.

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Com a nova estrutura prevista no PBIA, o governo espera ampliar significativamente essa capacidade de processamento. Tarefas como o treinamento de modelos de inteligência artificial, que atualmente podem levar dias, poderão ser concluídas em muito menos tempo.

O plano também prevê a criação de uma infraestrutura nacional para processamento de dados sensíveis do Estado. A proposta é utilizar o supercomputador como base para uma nuvem governamental própria que possa armazenar e processar informações de órgãos públicos estratégicos, como o Sistema Único de Saúde (SUS) e a Petrobras.

“Sem capacidade própria, o caminho é a dependência tecnológica e comercial. Ou você desenvolve sua infraestrutura ou fica totalmente refém de quem controla essas plataformas”, disse Miguel.

O secretário também projeta uma redução nos contratos entre 20% e 80% do custo da nuvem.

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