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Caso Master

CPI quebra sigilos de cunhado de Vorcaro e “Sicário” e convocação de servidores do BC

CPI do Crime Organizado
Comissão aprovou, também, a convocação de servidores do BC aliciados por Daniel Vorcaro para fornecer informações privilegiadas. (Foto: Geraldo Magela/Agência Senado)

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A CPI do Crime Organizado aprovou, nesta quarta (11), a quebra dos sigilos fiscal, telefônico e telemático do empresário e pastor Fabiano Zettel, cunhado do banqueiro Daniel Vorcaro e preso na semana passada por envolvimento nas supostas fraudes cometidas pelo Master, e de Luiz Philippi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Sicário”, que seria o operador de um grupo voltado à ameaça e coação de desafetos do banqueiro.

Os requerimentos foram aprovados em bloco pela CPI – sem a análise individual dos requerimentos – e incluem a convocação dos servidores Paulo Sérgio Neves de Souza e Bellini Santana, do Banco Central, que teriam sido aliciados por Vorcaro para fornecer informações privilegiadas sobre a liquidação do Banco Master; e o policial federal aposentado Marilson Roseno, que faria parte do grupo operado por Sicário; entre outros.

Sicário, que cometeu suicídio na prisão na semana passada, também teve aprovado um requerimento de envio de Relatórios de Inteligência Financeira (RIFs) do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) e outro que solicita ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), informações sobre sua morte.

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Na mesma sessão, os senadores aprovaram um requerimento para que o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, preste “informações detalhadas” sobre os processos administrativos que levaram ao afastamento de Souza e Santana de suas funções. A investigação da Polícia Federal descobriu que os dois servidores recebiam propina de Vorcaro para atuarem como seus consultores informais e acesso a informações que poderiam atingí-lo.

Também foram aprovados dois requerimentos para obtenção de informações detalhadas sobre a aeronave Embraer Legacy 650 de prefixo PP-NLR e sobre os passageiros que utilizaram o avião nos últimos meses também foram aprovados. De acordo com os pedidos, a aeronave teria sido usada pelo banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

Os pedidos, apresentados pelo senador Alessandro Vieira (MDB-SE), solicitam o envio de dados tanto pela Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC), como pela empresa responsável pela operação do jato, Prime Aviation Táxi Aéreo e Serviços Ltda. Os requerimentos pretendem ter acesso a informações completas sobre os registros da aeronave no Registro Aeronáutico Brasileiro (RAB), incluindo histórico de propriedade, eventuais transferências, valores envolvidos nas negociações e possíveis gravames ou ônus.

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Também pede a identificação de todos os proprietários, operadores ou exploradores que tenham constado nos registros oficiais do avião ao longo de 2025 e 2026, além da lista de passageiros de voos realizados no período. A CPI também requisitou o log detalhado das operações da aeronave, com datas, horários de decolagem e pouso, além dos aeródromos de origem e destino.

Foram solicitadas ainda cópias de contratos de prestação de serviços ou de compartilhamento relacionados ao uso do avião, especialmente aqueles que tenham fundamentado a utilização da aeronave por Daniel Bueno Vorcaro ou empresas do grupo Prime You/Fractions.

Segundo a justificativa dos requerimentos, as informações são consideradas necessárias para o avanço das investigações da CPI, que busca apurar possíveis conexões entre organizações criminosas e estruturas financeiras ou empresariais.

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Fundador da Reag nega irregularidades

A aprovação dos requerimentos ocorreu em meio ao depoimento do fundador da gestora Reag, João Carlos Mansur, suspeita de operar investimentos para o Banco Master de forma fraudulenta e por envolvimento com o Primeiro Comando da Capital (PCC). A empresa foi um dos alvos da operação Carbono Oculto, deflagrada no ano passado e que descobriu um grande esquema de adulteração de combustíveis e lavagem de dinheiro através de lojas de conveniência de postos e fintechs.

“O Banco Master era um dos clientes, como outros bancos, como outras instituições financeiras e como outras empresas de mercado. Um cliente como o senhor, como eu, como o nosso advogado, então, normal”, afirmou Mansur em depoimento.

Mansur também negou que a Reag tenha tido qualquer envolvimento com os negócios do PCC. A investigação da Polícia Federal descobriu que a facção aplicou R$ 30 bilhões em fundos de investimentos, entre eles a gestora – que também foi liquidada pelo Banco Central em janeiro deste ano.

A Reag foi liquidada pelo Banco Central após a investigação da Polícia Federal a indicar como parte da estrutura financeira que o Banco Master teria montado para realizar as supostas transações fraudulentas. A apuração aponta que a gestora administrava fundos e operações que serviram de base para as operações suspeitas.

Mansur foi convocado para prestar depoimento na CPI por conta da suposta ligação com o PCC, um dos alvos diretos de atuação da comissão parlamentar.

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