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A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) decidiu se afastar da campanha e do plano de governo do pré-candidato Flávio Bolsonaro à Presidência da República.
Em declarações ao portal Metrópoles, a senadora reclamou de ter sido "atacada diretamente pelo time da direita" e afirmou que não foi procurada pelo pré-candidato desde que a crise começou a escalar. "Ele está correndo", minimizou.
Ex-ministra da Mulher e dos Direitos Humanos no governo de Jair Bolsonaro, Damares tinha sido convidada para contribuir com o programa de Flávio nesta área. Mas decidiu interromper o trabalho, por ora. "Já fiz o que era preciso no primeiro momento. Depois a gente volta a ajudar no governo de transição", disse a senadora.
Senadora é amiga pessoal e aliada de Michelle Bolsonaro
Damares é amiga pessoal e uma das principais aliadas da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, que no fim de junho publicou um vídeo em que se disse "apunhalada", "desrespeitada" e "humilhada" pelo enteado, por discordar da aliança do PL com o ex-governador Ciro Gomes no Ceará. Pouco depois, Michelle renunciou à presidência do PL Mulher e lançou seu próprio movimento, o Imparáveis MB.
A senadora reforçou seu alinhamento com Michelle no dia seguinte: não compareceu ao encontro de Flávio com lideranças femininas de vinte estados, em Brasília - organizado justamente para tentar amenizar a crise. A senadora estava entre as organizadoras do evento.
Em seguida, ao discursar na Comissão de Direitos Humanos do Senado, que preside, Damares revelou que ela e sua família têm sofrido uma onda de ameaças e ataques nas redes sociais. "Disseram que vão matar minha filha. Inclusive eles fazem imagens de como vão matar a minha filha", denunciou. Também relatou que vinha sendo chamada de "leviana", "vagabunda" e "adúltera". "Acreditem, me deram até um amante, aos 62 anos de idade. É claro que estou procurando marido, mas atacar a honra de uma mulher dizendo que sou amante de um pastor, dizendo coisas das mais absurdas que vocês possam imaginar", disse.
Atritos com aliado de Eduardo Bolsonaro
A senadora também criticou declarações do influenciador e jornalista Paulo Figueiredo, radicado nos Estados Unidos e aliado do ex-deputado Eduardo Bolsonaro. Reagindo à afirmação de Figueiredo de que "mulher vota estatisticamente mal, principalmente as solteiras, as casadas costumam acompanhar o marido", Damares rebateu: "Chegaram ao absurdo de colocar em dúvida se a mulher tem capacidade de votar. Se a gente sabe escolher ou se merece ser escolhida."
As declarações de Figueiredo foram rechaçadas por Flávio Bolsonaro. "Eu quero repudiar as falas de Paulo Figueiredo, que foi completamente equivocado. Ele não faz parte da nossa campanha, eu não tenho responsabilidade pelo que ele fala, mas tenho a obrigação de falar aqui que eu me senti ofendido", reagiu.
Sobre o desgaste na relação com a madrasta Michelle, Flávio disse estar "aberto a conversar" e seguirá "esperando o tempo que ela achar que é o suficiente para estar com a gente na campanha, vestindo a camisa, porque eu tenho certeza que a Michelle pensa igual a mim. Ninguém aguenta mais quatro anos de PT".




