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Operação Indébito

Deputada do CE recebe tornozeleira da PF por suspeita de fraude no INSS

Gorete Pereira
Investigação da PF aponta suspeita de participação da parlamentar no esquema de fraude no INSS contra aposentados e pensionistas. (Foto: Pablo Valadares/Câmara dos Deputados)

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A deputada federal Gorete Pereira (MDB-CE), do Ceará, passou a ser monitorada com tornozeleira eletrônica, a partir desta terça-feira (17), entre os mandados cumpridos pela Polícia Federal na Operação Indébito. A ação é um desdobramento da operação Sem Desconto, deflagrada no ano passado após investigações apontarem uma fraude bilionária no INSS contra aposentados e pensionistas.

Ao todo, a Polícia Federal e auditores da Controladoria-Geral da União (CGU) cumprem dois mandados de prisão, 19 de busca e apreensão e outras medidas cautelares no estado do Ceará e no Distrito Federal. As medidas foram autorizadas pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).

"O MPF (Ministério Público Federal) afirmou haver elementos de que [a deputada] teria atuado como articuladora política junto a órgãos públicos, além de ter recebido valores por meio de pessoas interpostas", afirmou o ministro no despacho que autorizou a operação tornado público no meio da manhã.

A Gazeta do Povo procurou o gabinete da deputada Gorete Pereira para se pronunciar sobre a operação e aguarda retorno.

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O nome de Gorete Pereira apareceu nas investigações vinculado a uma das entidades investigadas por realizar descontos associativos irregulares em aposentadorias e pensões. A suspeita da Polícia Federal é de que a parlamentar teria recebido uma procuração com poderes para firmar acordos de cooperação com o INSS.

"Nada obstante a gravidade do que apurado nestes autos -- demonstrando o recebimento pela deputada de quantias expressivas em dinheiro e o contato direto com autoridades do INSS envolvidas nos fatos alusivos à 'Operação Sem Desconto' para a obtenção de vantagens ilícitas --, bem como a influência da parlamentar no âmbito administrativo federal e na estrutura da organização criminosa", completou Mendonça.

Um empresário e a advogada Cecília Rodrigues Mota, ex-presidente da Associação dos Aposentados e Pensionistas Nacional (Aapen) e da Associação dos Aposentados e Pensionistas do Brasil (AAPB), também foram presos pela autoridade.

"Em relação a Cecília, destacou-se atuação central na operacionalização das filiações fraudulentas, dos descontos indevidos e na ocultação patrimonial", seguiu Mendonça no despacho.

A operação também cumpriu mandados de busca e apreensão contra o diretor de Relacionamento e Negócios da Dataprev, Alan Santos, em Brasília. Ele é servidor de carreira e ocupa a diretoria desde 2021, suspeito de facilitar as autorizações para as associações realizarem as transações contra os beneficiários do INSS.

Informações confirmadas à Gazeta do Povo por fontes a par da investigação apontam que Santos teria se encontrado com Antônio Camilo Antunes, o "Careca do INSS", em diversas ocasiões em 2022. Ele é considerado o principal operador do esquema que lesou aposentados e pensionistas.

A reportagem procurou o Dataprev para comentar a citação de Santos na investigação e aguarda retorno, e tenta contato com a defesa do servidor.

A Polícia Federal informou, ainda, que foram apreendidos carros de luxo, grandes quantias de dinheiro e aparelhos eletrônicos.

"Esclarecer a prática de diversos crimes de inserção de dados falsos em sistemas oficiais, constituição de organização criminosa, estelionato previdenciário e atos de ocultação e dilapidação patrimonial", afirmou a Polícia Federal em nota.

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Gorete Pereira fazia parte do PL e se filou ao MDB em 2026, sendo eleita para a suplência -- que cumpre mandato agora -- na última eleição geral de 2022 com 36,5 mil votos. Ela é suplente do deputado Yuri do Paredão (MDB-CE), que não está em exercício, e também fazia parte do PL.

A reportagem também procurou o deputado e aguarda retorno.

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Deputada já era investigada

A deputada federal Gorete Pereira já era investigada por suspeita de envolvimento no esquema de fraude no INSS, mas negou qualquer participação.

"Diante de recentes rumores e especulações envolvendo meu nome em suposto esquema de corrupção no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), venho a público esclarecer que repudio veementemente insinuações ou acusações neste sentido", disse a parlamentar em maio do ano passado em uma rede social.

As investigações que levaram à Operação Sem Desconto começaram no final de 2024 e ganharam força em 2025 quando a Polícia Federal e a CGU descobriram um esquema nacional de descontos associativos não autorizados em aposentadorias e pensões. Esses descontos eram aplicados diretamente nos contracheques dos segurados, muitas vezes sem consentimento das vítimas.

Relatórios da investigação indicaram que entidades associativas firmavam acordos com o INSS para descontar mensalidades dos benefícios, mas parte dessas cobranças era feita de forma irregular ou fraudulenta. Se estima uma fraude de R$ 6,3 bilhões contra aposentados e pensionistas entre os anos de 2019 e 2024, que passaram a ser investigados também por uma CPMI no Congresso.

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