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O deputado federal Kim Kataguiri (União Brasil-SP) ingressou na Procuradoria-Geral Eleitoral (PGE) nesta quinta-feira (29) com uma representação contra o samba-enredo sobre o presidente Lula. A escola de samba Acadêmicos de Niterói homenageia Lula em sua estreia no Grupo Especial do Carnaval do Rio, a apenas oito meses das eleições.
Para os autores da denúncia — que incluem também o representante do Movimento Brasil Livre (MBL), Jota Júnior —, a obra conteria “elementos que caracterizam possível propaganda eleitoral antecipada”.
A letra do samba apresenta trechos que exaltam diretamente o presidente, com referências ao número 13 e elogios à sua legenda partidária. Conforme o entendimento do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), tais menções poderiam configurar irregularidade nos termos do artigo 36-A da Lei das Eleições.
A representação também aponta que o samba-enredo contou com a participação do próprio Lula e que a primeira-dama, Janja, teria inclusive prometido desfilar pela escola. O presidente deve ir à Sapucaí e ficar no camarote. Cada agremiação recebe um aporte de R$ 1 milhão do governo federal, além de recursos municipais e estaduais.
“O Carnaval não pode ser transformado em palanque eleitoral, especialmente em um evento de grande alcance nacional e com financiamento público", declarou Kataguiri.

Restrições a fazer o "L" na avenida
O regulamento dos desfiles na Sapucaí proíbe a propaganda eleitoral e a escola aparenta ter atenção a isso. Para evitar a perda de pontos em quesitos regulamentares, a escola orientou seus integrantes a não realizarem o gesto do "L" durante o desfile oficial.
No entanto, nos ensaios técnicos, integrantes da agremiação foram vistos posando para fotos com o gesto característico da campanha de 2022 para as redes sociais. A disputa teve outros desdobramentos digitais: militantes denunciaram que grupos de direita se organizaram para derrubar a popularidade do samba no Spotify.
“Organizaram um mutirão para jogar o samba-enredo de 2026 no fundo do ranking no Spotify. Conseguiram? Conseguiram. E agora? Agora é o povo lulista respondendo com o play”, afirmou o militante Rodolfo Vasconcelos, que se apresenta como "Rodolfo do PT", em publicação no Instagram.
A Gazeta do Povo buscou contato com a Acadêmicos de Niterói para tratar do samba-enredo, mas não obteve retorno até a publicação desta reportagem. O espaço permanece aberto para manifestações.





