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Guerra no Oriente Médio

Embaixador do Irã agradece governo brasileiro e reforça retaliação aos EUA

Ação no Irã
A fumaça sobe no centro de Teerã após um ataque israelense no Irã, em 1º de março de 2026. (Foto: EFE/ABEDIN TAHERKENAREH)

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O embaixador do Irã no Brasil, Abdollah Nekounam, agradeceu nesta segunda-feira (2) a posição do governo brasileiro de condenar a ofensiva dos Estados Unidos e de Israel contra o território iraniano no último final de semana, classificando a atitude como alinhada à defesa da soberania nacional e dos valores humanos.

O diplomata afirmou que a manifestação brasileira foi recebida de forma positiva por autoridades de Teerã, capital do Irã. O Ministério das Relações Exteriores pediu a interrupção imediata das ações militares no Oriente Médio.

“Nós recebemos as manifestações do governo brasileiro sobre os ataques dos EUA e do regime sionista de Israel e agradecemos a condenação dos atos de agressão. Acreditamos e vemos essa ação da parte do governo do Brasil como uma ação valorosa que dá atenção aos valores do ser humano, soberania, integridade territorial e independência dos governos”, afirmou em um encontro com jornalistas nesta manhã na sede da embaixada, em Brasília.

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Abdollah Nekounam classificou o ato como “criminoso” e que o governo norte-americano não busca mais um acordo nuclear, mas sim uma mudança de regime. Segundo o diplomata, o Irã vive um cenário de guerra e acusou os Estados Unidos e Israel de iniciarem o conflito sob o pretexto de negociações.

“Estamos no meio de uma guerra. Os Estados Unidos e o regime sionista começaram um ataque usando as negociações”, disse acrescentando que o Irã dará resposta no campo militar.

O embaixador também fez críticas diretas a Donald Trump, afirmando que ele se comporta como “o rei do mundo” e que ultrapassou o que chama de “fronteira de humanidade”. Nekounam emendou que o país está preparado para cenários extremos e possui equipamentos militares de alta qualidade para enfrentar o conflito.

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Alvos dos EUA e Israel

Sobre possíveis desdobramentos regionais, Abdollah Nekounam negou qualquer ruptura com países vizinhos e afirmou que as ações iranianas são direcionadas apenas a alvos militares dos Estados Unidos e de Israel.

“Não há nenhum desentendimento com nossos países vizinhos. As nossas ações são contra as bases militares dos Estados Unidos e centros do regime sionista”, explicou.

Ele também alertou que bases militares utilizadas para atacar o Irã poderão ser alvo de retaliação, defendendo que países da região pressionem pela desativação dessas estruturas. Ainda sobre a escalada, mencionou o risco de ampliação do conflito após o fechamento do Estreito de Ormuz, classificando a medida como consequência já anunciada.

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Vítimas

O embaixador afirmou que ainda não há números oficiais de vítimas, mas indicou que não há registro confirmado de brasileiros mortos ou feridos no Irã. Ele destacou que a embaixada brasileira acompanha a situação e presta assistência a cidadãos que estavam no país.

De acordo com informações diplomáticas, seis brasileiros que integravam uma equipe de futebol em Teerã receberam apoio para deixar o território iraniano e seguiram para Istambul, na Turquia. Outro caso envolveu uma brasileira e seu marido, que também conseguiram sair do país após intervenção da embaixada.

Nekounam ressaltou que o diálogo com o Brasil segue normalmente e sem relação com os Estados Unidos. “Nossas conversas com o Brasil não têm nada a ver com os EUA”, afirmou indicando que as relações bilaterais permanecem estáveis.

Uma ação conjunta dos Estados Unidos e Israel no sábado (28) realizou uma ofensiva aérea contra alvos estratégicos no Irã, alegando a necessidade de conter o programa nuclear iraniano, levando à morte o líder supremo do país, Ali Khamenei, além de outras autoridades militares de alto escalão. Em resposta, o país persa empreendeu um grande ataque com mísseis a alvos ligados aos dois países.

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