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Veto da dosimetria

Esquerda faz campanha para tentar evitar nova derrota de Lula no Congresso

Esquerda faz campanha para tentar evitar nova derrota de Lula no Congresso
Esquerda faz campanha para tentar evitar nova derrota de Lula no Congresso. Na foto, a deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ) (Foto: Kayo Magalhaes/Câmara dos Deputados)

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Parlamentares de partidos de esquerda intensificaram, nesta quinta-feira (30), a mobilização política e discursiva em defesa da manutenção do veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao chamado PL da Dosimetria. A estratégia busca evitar uma nova derrota do governo no Congresso Nacional, em meio ao risco de derrubada do veto presidencial.

A ofensiva foi focada em discursos proferidos em plenário, durante a reunião do Congresso, e na atuação nas redes sociais.  

No plenário, o deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP) sustentou que o projeto, apresentado após os atos de 8 de janeiro de 2023, teria impacto direto sobre a responsabilização de envolvidos nas manifestações. Segundo ele, os eventos configuraram uma “tentativa de golpe de Estado”, articulada ao longo de meses e com base em questionamentos às urnas eletrônicas e às instituições democráticas. 

Chinaglia argumentou ainda que o texto aprovado pelo Congresso abre margem para benefícios penais generalizados. “Da forma como fizeram conscientemente, eles liberam todos os criminosos de todos os tipos de crime”, afirmou, ao defender que a manutenção do veto é necessária para evitar efeitos que, segundo ele, alcançariam desde crimes hediondos até casos de violência sexual. 

A mesma linha foi adotada pela deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ), que destacou possíveis conflitos entre o PL da Dosimetria e legislações anteriores, como a Lei Antifacção. Ela argumentou que a proposta altera regras de progressão de pena previstas em normas já consolidadas, podendo reduzir punições para diversos crimes. 

Feghali também criticou a possibilidade de divisão (“fatiamento”) do veto durante a análise no Congresso, classificando a prática como incompatível com a Constituição e o regimento interno. Para a parlamentar, a única forma de preservar a coerência do sistema legal seria manter o veto integral. 

Já a deputada Maria do Rosário (PT-RS) afirmou que a eventual derrubada do veto teria implicações graves do ponto de vista jurídico e político. Segundo ela, a medida poderia beneficiar tanto os envolvidos nos atos de janeiro quanto autores de crimes como feminicídio e estupro. 

“Aqui, se aprovarmos a dosimetria nos termos apresentados, estaremos elogiando os golpistas”, declarou a deputada, ao criticar o que classificou como tentativa de flexibilização penal ampla.

Em publicação nas redes sociais, a deputada Tabata Amaral (PSB-SP) defendeu a manutenção do veto, alinhando-se ao argumento de que a proposta pode gerar efeitos amplos no sistema penal. “Quem hoje votar pela derrubada do veto à Dosimetria não estará só aliviando a pena do Bolsonaro. Estará aliviando, junto, a pena de chefes do PCC e do CV. De assassinos e estupradores. De fraudadores e estelionatários”, escreveu a deputada. 

O deputado Rogério Correia (PT-MG) adotou discurso semelhante. “Além da imoralidade de soltar quem atentou violentamente contra a democracia brasileira, no balaio dos beneficiados viriam também estupradores, feminicidas e líderes de organização criminosa”, escreveu em publicação no X.

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