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A reação de setores da esquerda aos boicotes contra eleitores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) após as eleições contrasta com episódios em que militantes, organizações e representantes desse campo político defenderam ou promoveram iniciativas semelhantes contra empresas e veículos de comunicação associados à direita.
Os episódios incluem campanhas para evitar o consumo de marcas cujos proprietários apoiavam o então presidente Jair Bolsonaro (PL), a pressão do Sleeping Giants Brasil (SGB) sobre anunciantes de jornais conservadores e declarações de Fernando Haddad (PT) favoráveis ao boicote por razões ideológicas.
Boicote a empresas cujos donos apoiavam Bolsonaro
Em março de 2020, uma campanha nas redes sociais convocou consumidores a boicotar empresas cujos proprietários apoiavam Bolsonaro.
A mobilização atingiu marcas como Havan, Riachuelo, Centauro, Smart Fit, Bio Ritmo, Coco Bambu e Madero.
A Central Única dos Trabalhadores (CUT) publicou uma reportagem sobre a iniciativa com o título “Boicote a empresas ligadas a Bolsonaro ganha as redes”.
O texto destacou a participação de empresários na mobilização em favor das manifestações convocadas para 15 de março daquele ano.
Um dos alvos foi a Smart Fit, cujo sócio Edgard Corona integrava o grupo Brasil 200, formado por empresários e profissionais liberais que apoiaram Bolsonaro na eleição de 2018.
A campanha ganhou força depois que Corona compartilhou vídeos com críticas ao então presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia.
A rede Madero também entrou na mira dos consumidores. Seu proprietário, Junior Durski, declarou apoio às manifestações de 15 de março e afirmou ter orgulho de ter votado em Bolsonaro e participado de sua campanha.
Em resposta, usuários do Twitter impulsionaram a hashtag #MaderoNuncaMais.
A Havan, do empresário Luciano Hang, e a Riachuelo, ligada a Flávio Rocha, também apareceram entre as empresas boicotadas.
A lista publicada pela CUT incluía ainda outras companhias cujos proprietários mantinham proximidade com o governo ou apoiavam suas pautas.
Sleeping Giants pressionou anunciantes da Gazeta do Povo
O Sleeping Giants Brasil (SGB) ganhou notoriedade em 2020 ao pressionar empresas a cancelar anúncios e desmonetizar veículos de comunicação que não comungam com os valores ideológicos do grupo.
A estratégia consistia em identificar anunciantes nas redes sociais, cobrar a retirada da publicidade e expor publicamente as empresas que não atendessem aos pedidos.
Em novembro de 2020, o SGB iniciou uma campanha para pressionar anunciantes a retirar publicidade da Gazeta do Povo. A mobilização ocorreu após o jornal decidir manter o colunista Rodrigo Constantino, atacado por comentários sobre o caso Mariana Ferrer.
Em reportagem publicada em 11 de novembro de 2020, a Gazeta do Povo informou que 13 empresas haviam cedido à pressão até aquela data. O jornal relatou que o grupo marcava os perfis dos anunciantes nas redes sociais e cobrava a interrupção dos contratos publicitários.
Dois dias depois, em outra reportagem, a Gazeta ouviu empresários que relataram constrangimentos provocados pela campanha. Alguns afirmaram temer prejuízos comerciais caso mantivessem os anúncios no jornal.
Campanha contra a Jovem Pan
A atuação do SGB também atingiu a Jovem Pan. Em dezembro de 2022, o grupo lançou uma campanha para pressionar anunciantes da emissora, associando declarações de comentaristas e entrevistados à possibilidade de novos episódios de violência política.
Em fevereiro de 2023, associações do setor de radiodifusão criticaram a iniciativa.
A Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert) manifestou preocupação com as campanhas de boicote do Sleeping Giants Brasil e com a pressão exercida sobre empresas que anunciavam em veículos de comunicação.
A estratégia do grupo não se restringiu à Gazeta do Povo e à Jovem Pan. Em 2024, o SGB promoveu uma campanha para desmonetizar o X, antigo Twitter, após as denúncias de Elon Musk sobre pressões para restringir perfis de conservadores na plataforma.
Sleeping Giants recebeu recursos de fundações internacionais
O financiamento do Sleeping Giants Brasil também entrou no debate sobre sua atuação.
Em janeiro de 2024, a Gazeta do Povo noticiou que o grupo havia recebido pouco mais de R$ 2,4 milhões da Ford Foundation e da Open Society Foundations em 2022 e 2023, conforme informações divulgadas pelas próprias instituições.
A Open Society Foundations, criada pelo controverso bilionário George Soros, e a Ford Foundation financiam organizações e projetos em diferentes países, incluindo iniciativas ligadas a pautas progressistas, como a legalização do aborto, a descriminalização das drogas, a agenda LGBT e políticas de identidade de gênero.
Haddad afirmou boicotar empresas por ideologia
Em janeiro de 2023, o então ministro da Fazenda, Fernando Haddad, declarou, durante o Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça, que deixava de consumir produtos de empresas por razões ideológicas.
“Não compro nem um palito de fósforo de uma empresa que não tenha compromisso com as minhas questões”, afirmou o ministro, ao comentar o comportamento de consumidores diante de companhias que apoiaram o governo Bolsonaro.
Haddad também declarou que parte dos consumidores brasileiros havia deixado de comprar produtos de empresas que se engajaram em favor do governo anterior.







