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O ex-ministro do Esporte do governo Dilma (PT), Ricardo Leyser Gonçalves, incluiu o Banco Master em um pedido de financiamento, por meio do programa Minha Casa, Minha Vida, para construir 20 mil casas no Rio Grande do Sul após as fortes enchentes que devastaram o estado. Leyser é diretor da VBR Engenharia, e formalizou a proposta em ofício ao ministro das Cidades, Jader Barbalho Filho. O banco seria um dos que assumiria "o risco de contratação das construtoras para a execução dos serviços."
O ofício, datado de maio de 2024, registra sua última movimentação em julho de 2025, na Assessoria Especial de Assuntos Parlamentares e Federativos (Aspar) do Ministério das Cidades. Em nota enviada à Gazeta do Povo, a pasta informou que a oferta não prosperou, uma vez que "a modalidade nunca foi regulamentada e tampouco tem dotação orçamentária para operar."
Leyser também enviou nota (veja o posicionamento completo mais abaixo), apontando para a legalidade da oferta, que partiu de "uma agenda pública, com registro de documentação assinada e protocolizada perante o Ministério das Cidades, com a apresentação de propostas claras e em nome de empresas e instituições legitimamente constituídas e regulamentadas, sem qualquer remuneração por parte delas."
Ofício menciona federação de municípios gaúchos e propõe construção com painéis pré-moldados
"A partir do anúncio do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva e da sua decisão em auxiliar de maneira menos burocrática e mais célere a reconstrução do Estado Gaúcho, a empresa VBG Engenharia e Empreendimentos LTDA, [...], em conjunto com o Banco MASTER, o Banco DIGIMAIS e o Banco GENIAL, soma-se ao esforço do Governo Brasileiro, através da construção de 20.000 (vinte mil) unidades habitacionais", diz o ofício obtido pela reportagem, em sua conclusão.
O documento ainda menciona o Master ao tratar do histórico da empresa neste tipo de empreendimento. A parceria da VBG com o grupo, que inclui o Master, já teria apresentado propostas a 1.200 prefeituras."Desde março de 2023 estamos trabalhando de forma conjunta com a Federação dos Municípios do Rio Grande do Sul (Famurs), entidade que representa 29 associações regionais de municípios, e todas as 497 cidades gaúchas", complementa.
Para gerar uma resposta rápida à catástrofe no sul, a construtora propõe que as obras sejam realizadas com emprego de painéis pré-moldados, o que possibilitaria a construção de cerca de 100 casas no prazo de três meses. O ex-ministro ainda anexa uma minuta de portaria, como sugestão.
Caso Master gerou críticas à atuação de Toffoli
Liquidado pelo Banco Central, o Master enfrenta uma investigação que aponta para a emissão de crédito sem valor real. O Banco de Brasília (BRB) está envolvido no escândalo, uma vez que adquiriu R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito. O dono da instituição, Daniel Vorcaro, foi preso.
No Congresso, a oposição articula a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI). Além das suspeitas de fraude, os parlamentares querem focar na relação entre o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli, relator do caso na Corte, e Vorcaro, especialmente após reportagens que revelaram ligações que passam pelo resort Tayayá, em Ribeirão Claro (PR).
O que diz Leyser
O diretor da VBG falou em nome da empresa: "Nossa atuação junto ao Ministério das Cidades no âmbito das discussões sobre a habilitação, dentro do Programa Minha Casa Minha Vida, de instituições financeiras autorizadas pelo Banco Central do Brasil, inclusive bancos digitais, na Modalidade de Oferta Pública, seguiu os mais rígidos padrões de transparência e é exemplar no relacionamento com o poder público: tratouse de uma agenda pública, com registro de documentação assinada e protocolizada perante o Ministério das Cidades, com a apresentação de propostas claras e em nome de empresas e instituições legitimamente constituídas e regulamentadas, sem qualquer remuneração por parte delas."
Leyser ainda explica a proposta, que previa "que os recursos fossem depositados em conta gráfica vinculada ao Ministério das Cidades, que faria o repasse às instituições
financeiras, e que a fiscalização dessas instituições fosse realizada pelo Banco Central do Brasil – como, inclusive, determina a legislação que regulamenta o setor. Nossa sugestão, repito, atendia plenamente ao que determina a legislação, tanto no diz respeito à atuação de instituições financeiras, quanto às normas que regulamentam o Programa Minha Casa Minha Vida e respeitando, ainda, o papel que a Caixa Econômica Federal tem na execução desse programa."
"Cabe registrar, ainda, que nós não tivemos qualquer remuneração por parte de nenhuma das instituições financeiras com as quais nos reunimos para avaliar o cenário e sugerir procedimentos que permitissem uma maior participação de instituições financeiras na Modalidade de Oferta Pública para o Minha Casa Minha Vida. Além disso, as três instituições financeiras com as quais construímos essa proposta – quais sejam, Banco Digimais, Banco Genial e Banco Master – eram instituições plenamente autorizadas, reguladas e fiscalizadas pelo Banco Central do Brasil e não havia, naquele momento, qualquer impedimento ou mesmo indícios de problemas de liquidez ou gestão
com qualquer uma delas", segue o texto.
"Adicionalmente, quero registrar que os procedimentos por nós propostos, se adotados, teriam repercussão positiva para toda e qualquer instituição financeira devidamente regulamentada pelo Banco Central do Brasil que tivesse interesse em participar da Modalidade de Oferta Pública, também prevista em lei", conclui.
A Gazeta do Povo ainda entrou em contato com Dilma, com o Banco Master, com o Banco Genial, com o Banco Digimais e com a Famurs . O espaço segue aberto para manifestação.






