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Reunião

Flávio esteve com Tarcísio e Derrite antes de deixar o país e não mencionou plano, diz advogado

Tracy Reinaldet vê sentimento de injustiça como motivação e avalia que caso é de defesa simples.
Tracy Reinaldet vê sentimento de injustiça como motivação e avalia que caso é de defesa simples. (Foto: Antoni Belchi/EFE)

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O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) se reuniu com seus advogados e aliados na segunda-feira (26) para tratar da intimação da Polícia Federal (PF) sobre a entrega de seus passaportes, mas não mencionou qualquer intenção de deixar o país.

A informação foi revelada pelo advogado Tracy Reinaldet em entrevista à CNN Brasil nesta quarta-feira (28). Além dele, teriam participado do encontro a advogada Maria Claudia Bucchianeri, que representa Flávio em questões eleitorais, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e o senador eleito Guilherme Derrite (PP-SP).

"Em momento algum desta reunião foi sequer cogitado a possibilidade de o senador Flávio deixar o país", disse Reinaldet. Ainda segundo ele, a conclusão do encontro foi de que haveria a entrega dos passaportes na terça-feira (27), o que acabou não acontecendo. "E aí todos da reunião fomos surpreendidos com a notícia de que ele teria deixado o país", completou.

Reinaldet avaliou como simples a defesa nos autos diante de um ofício enviado pelo banco Santander (entenda mais abaixo). Opinou, no entanto, que a decisão de seu cliente pode ter sido motivada por uma sensação de injustiça, uma vez que, mesmo após a informação que teria desmontado a hipótese da investigação, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes impôs medidas cautelares.

"Eu preciso conversar com ele, entender quais os motivos o levaram a deixar o país, mas compreendo o sentimento de injustiça que passou no coração dele no momento em que ele viu a decisão depois da derrota e com base em uma hipótese de uma investigação que já tinha sido infirmada pelo banco Santander nos próprios autos", disse.

Advogado detalha inquérito

Reinaldet aproveitou a entrevista para trazer mais detalhes sobre o inquérito no qual Moraes determinou o recolhimento dos passaportes. De acordo com ele, o procedimento partiu de informações de outro inquérito, sob responsabilidade da Justiça Federal de Porto Alegre, que falavam de supostas relações com o advogado Willer Tomaz.

Os relatórios incluiriam fotos de Flávio com Willer "que demonstram uma relação de amizade que nunca foi negada", informações sobre duas viagens envolvendo os dois e um e-mail que levantou a hipótese de que a empresa Alcazar, de propriedade de Tomaz, teria como usuário máster Flávio.

"A hipótese investigativa que se construiu nesse inquérito era justamente em torno desta conta: pensava a Polícia Federal que o senador Flávio usava essa conta e que, portanto, existiria um fluxo financeiro de recursos entre a empresa do Willer Tomaz e o senador Flávio Bolsonaro", detalhou. O Santander teria informado, em seguida, que Flávio nunca foi titular da conta apontada.

"A percepção técnica da defesa é de que a defesa era muito simples de ser feita, porque o Santander já tinha desconstruído a hipótese investigativa, e que não haveria necessidade nenhuma de descumprir medida cautelar. O que ficou acordado com o senador Flávio é de que a gente iria depositar os passaportes na terça-feira", argumentou.

Como Flávio tem foro, explica, o delegado do caso deveria pedir para que o próprio juiz federal enviasse o caso ao Supremo. Reinaldet diz que não foi o que aconteceu: o próprio delegado teria peticionado diretamente ao Supremo, anexando um relatório de informação avulso. O advogado alega ainda que a diferença em relação ao padrão fez com que o presidente da Corte, Edson Fachin, cobrasse explicações do delegado.

A distribuição também teria sido irregular. Reinaldet conta que o e-mail obtido pela investigação veio da quebra de sigilos na operação Sem Desconto, que apura fraudes no INSS. Com isso, sustenta, o caso deveria ir, por prevenção (conexão), ao gabinete do ministro André Mendonça. Mesmo assim, o procedimento foi a sorteio, chegando a Moraes.

Na última sexta-feira (23), pouco antes do último debate presidencial do segundo turno, na Globo, Moraes deu uma decisão de ofício (sem pedido) e sem parecer da Procuradoria-Geral da República (PGR) mirando Tomaz: determinou o bloqueio ou sequestro de até R$ 6 bilhões, quebra dos sigilos bancário, fiscal e cambial, suspensão de atividades empresariais e cancelamento de seus passaportes.

No domingo (25), durante a votação, o Santander anexou nos autos cópias de extratos bancários da conta suspeita. Reinaldet diz que os documentos comprovam a ausência de qualquer transferência para Flávio.

Logo após o resultado, que definiu a reeleição do presidente Lula (PT), a Polícia Federal (PF) protocolou um pedido para medidas cautelares contra Flávio. A corporação queria que Moraes proibisse o senador de sair do país, de ter contato com Willer Tomaz e obrigasse Flávio a devolver os passaportes.

No pedido, a PF aponta para uma declaração pública em que o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL) defendia que seu irmão saísse do Brasil caso perdesse as eleições. A corporação usou também o fato de que o próprio Tomaz já estava fora do país, com dinheiro para permanecer no exterior, além da existência de uma estrutura de permanência de Eduardo nos Estados Unidos, o que ainda é objeto de investigação. Moraes atendeu a todos os pedidos sem consultar a PGR.

O que se sabe sobre o trajeto de Flávio Bolsonaro

Flávio desembarcou no aeroporto executivo Opa-Locka, em Miami, por volta das 10h30, pelo horário de Brasília. Informações preliminares apontam que o trajeto partindo da capital federal contou com uma parada em uma fazenda de Foz do Iguaçu. De lá, o senador teria atravessado a Ponte Tancredo Neves, em direção a Puerto Iguazú, na Argentina, em uma van de placa brasileira da Dallas Turismo.

No aeroporto major Carlos Eduardo Krauser, o avião já aguardava há quase um dia completo. Os veículos argentinos TN e C5N estavam no local por volta da meia-noite e registraran movimentação incomum. Ali, viram a van chegar, escoltada por uma viatura da Polícia de Segurança Aeroportuária (PSA).

Poucos minutos depois da meia-noite, a aeronave decolou rumo a Guayaquil, no Equador. Depois de permanecer cerca de 36 minutos em solo, seguiu para a região de Miami em um voo de aproximadamente quatro horas. Na manhã desta quarta-feira (28), o trajeto chegou a ser o mais acompanhado do mundo no Flightradar24.

Em Miami, a imprensa aguardava a chegada da aeronave para confirmar que Flávio estava nela, em meio a um cenário de informações conflitantes. O senador, sua esposa e suas duas filhas desceram do avião e seguiram para uma unidade da Alfândega e Proteção de Fronteiras dos Estados Unidos (CBP).

Depois disso, um Ford Expedition cinza-escuro deixou o local, com agentes uniformizados escondendo quem entrava nele com guarda-chuvas. O veículo utilizava uma placa estadual comum, aparentemente da Virgínia, e não uma identificação federal ostensiva. Isso, porém, não permite descartar uso governamental, já que normas americanas autorizam veículos empregados em segurança e aplicação da lei a operar sem placas federais identificáveis.

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