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Parecer

Gonet se manifesta a favor de prisão domiciliar a Bolsonaro

Bolsonaro enfrenta broncopneumonia após laudo da PF. Concessão do benefício ainda será analisada por Moraes.
Bolsonaro enfrenta broncopneumonia após laudo da PF. Concessão do benefício ainda será analisada por Moraes. (Foto: André Borges/EFE)

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O procurador-geral da República, Paulo Gonet, se manifestou favoravelmente à concessão de prisão domiciliar humanitária ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O parecer, enviado ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, é desta segunda-feira (23). Nele, Gonet defende que Bolsonaro seja reavaliado periodicamente, podendo voltar à penitenciária em caso de melhora.

"Ao ver da Procuradoria-Geral da República, está positivada a necessidade da prisão domiciliar, ensejadora dos cuidados indispensáveis ao monitoramento, em tempo integral, do estado de saúde do ex-presidente, que se acha, comprovadamente, sujeito a súbitas e imprevisíveis alterações perniciosas de um momento para o outro", diz o parecer.

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Jair Bolsonaro passou por uma perícia da Polícia Federal (PF). No laudo, o órgão opinou pela adequação do 19º Batalhão de Polícia Militar do Distrito Federal a seu quadro de saúde, em razão da vigilância médica 24 horas por dia. Com isso, Moraes manteve a prisão em regime fechado, após um parecer da Procuradoria-Geral da República (PGR) no mesmo sentido.

O quadro de broncopneumonia bacteriana bilateral, no entanto, levou a um novo pedido da defesa. O ex-presidente foi hospitalizado às pressas após uma crise de vômitos e calafrios. Em coletiva de imprensa, os médicos destacaram a rapidez da evolução dos sintomas como indicativo de gravidade.

No parecer, Gonet destaca o prontuário do hospital DF Star, que detalha a estadia na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e uso de antibióticos na veia. O procurador-geral da República ressaltou também a necessidade de "rigorosa e contínua monitorização". A medicação afetou os rins e, com isso, a equipe tem atuado para conciliar um tratamento eficaz com o uso seguro, que não cause efeitos colaterais graves.

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Gonet argumenta que STF já concedeu prisão domiciliar humanitária em situações semelhantes

Parecer não cita casos de Heleno, Jefferson e Collor, mas defende que haja "flexibilização do regime, em linha com o que admite o Supremo Tribunal Federal em circunstâncias análogas."Parecer não cita casos de Heleno, Jefferson e Collor, mas defende que haja "flexibilização do regime, em linha com o que admite o Supremo Tribunal Federal em circunstâncias análogas." (Foto: Antonio Augusto/STF)

Outra argumentação é de que o STF já concedeu o benefício em condições semelhantes. Os casos recentes mais conhecidos são o do general Augusto Heleno, em razão de doença de Alzheimer; o do ex-deputado federal Roberto Jefferson, por complicaçõe decorrente de um histórico de cânceres; e o do ex-presidente Fernando Collor, portador de doença de Parkinson, apneia do sono grave e transtorno afetivo bipolar.

Bolsonaro foi condenado a 27 anos e três meses de prisão e já cumpriu quase oito meses. Caso o Congresso Nacional derrube o veto do presidente Lula (PT) ao projeto de lei da dosimetria, o ex-presidente pode ter sua pena reduzida para dois anos e quatro meses.

Agora, cabe a Moraes decidir. O ministro pode determinar a realização de uma nova perícia para embasar uma concessão ou uma negativa.

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