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O governo Lula (PT) reagiu ao anúncio feito pelos Estados Unidos, nesta quarta-feira (15), de impor uma sobretaxa de 25% sobre as importações provenientes do Brasil. Em nota, o Palácio do Planalto disse que a medida é um “marco lastimável” nas relações entre os dois países.
O governo afirmou que iniciará os trâmites para acionar a Lei da Reciprocidade, que permite ao Brasil aplicar medidas equivalentes contra países que impõem restrições comerciais unilaterais.
A gestão petista também acusou a família Bolsonaro de colaborar ativamente com as investigações americanas para prejudicar o país por objetivos eleitoreiros, chamando-os de "falsos patriotas".
"É triste constatar que o lamentável desfecho das investigações baseadas na Seção 301 faz parte do enredo construído com a ativa colaboração da família Bolsonaro... Não se pode amar o Brasil apenas quando vencemos eleições", destacou o governo.
Para o Planalto, "proteger a nossa soberania é uma obrigação que está acima de todos os partidos e todas as tendências".
O pré-candidato do PL à Presidência, senador Flávio Bolsonaro, defendeu o adiamento do tarifaço, afirmando que a nova sanção beneficiaria Lula nas eleições, durante um discurso na audiência pública do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), no último dia 7.
“Impor agora uma tarifa que seria difícil de reverter, premiando aqueles que são responsáveis pelas ações em questão e punindo aqueles que suportaram suas consequências, seria o pior momento possível para agir”, disse o senador.
No início da madrugada desta quinta (16), o Secretário de Estado americano, Marco Rubio, afirmou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) colocou seu “ego à frente de fechar um acordo pelo bem-estar do povo brasileiro”.
Já o chefe do Escritório do Representante Comercial (USTR, na sigla em inglês), Jamieson Greer, declarou que houve falta de empenho do governo brasileiro nas negociações para melhorar a relação comercial entre os países, segundo relatos da emissora CNN.
O governo brasileiro afirmou que, apesar de "não reconhecer a legitimidade de investigações sem amparo nas regras multilaterais de comércio", nunca deixou mesa de negociação para defender os interesses nacionais.
Os EUA determinaram a entrada em vigor das tarifas para o dia 22 de julho, alegando que as consultas com o Brasil não resolveram satisfatoriamente as preocupações americanas sobre o acesso ao mercado de etanol e proteção de propriedade intelectual.
Apenas produtos que já estiverem em trânsito e chegarem aos portos dos EUA até 29 de julho estarão isentos do novo imposto. A formalização do tarifaço veio acompanhada de uma lista de produtos que permanecerão isentos para evitar danos colaterais à economia americana.
Retaliação e estratégia para conter os danos do tarifaço
Além da reciprocidade, o governo informou que questionará a legalidade das tarifas sob as regras do comércio multilateral na Organização Mundial de Comércio (OMC).
O Plano Brasil Soberano será reforçado para proteger setores produtivos afetados pelas tarifas, visando preservar a capacidade industrial e a renda da população.
O governo reforçou que seguirá com a estratégia de buscar novas parcerias, citando acordos recentes do Mercosul com a União Europeia, Singapura e a Associação Europeia de Livre Comércio.





