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Combate ao crime

Governo fixou metas já atingidas em plano de segurança pública, revela TCU

Relatório de auditoria revela manobra que poderia gerar aparência de sucesso em política pública.
Relatório de auditoria revela manobra que poderia gerar aparência de sucesso em política pública. (Foto: Valter Campanato/Agência Brasil)

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Um relatório assinado pela Unidade de Auditoria Especializada em Defesa Nacional e Segurança Pública (AudDefesa) do Tribunal de Contas da União (TCU) revelou que o Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) utilizou uma manobra que teria o potencial de fazer com que metas do Plano Nacional de Segurança Pública (PNSP) sejam anunciadas como batidas em 2030: os indicadores desejados para roubo de veículos e latrocínio já foram atingidos antes mesmo do plano entrar em vigor.

O relatório foi aprovado na sessão desta quarta-feira (8). Com relação ao roubo de veículos, a meta era chegar a 150 por 100 mil carros em 2030. As estatísticas oficiais, porém, davam conta de que tal índice já era de 134 em 2020.

O roubo seguido de morte passou pela mesma manobra: para 2030, fixou-se que a taxa nacional de latrocínios deveria estar abaixo de uma morte a cada 50 mil habitantes, o que já se verificava em 2023.

Agora, o ministério tem seis meses para revisar as metas, ouvindo com antecedência os estados. O tribunal quer que haja critérios técnicos e mensuráveis por meio de prazos bem delimitados.

O gráfico no relatório da auditoria do TCU mostra que a meta de latrocínios fixada em 2021 já estava previamente atingida em 2020.O gráfico no relatório da auditoria do TCU mostra que a meta de latrocínios fixada em 2021 já estava previamente atingida em 2020. (Foto: Reprodução/Relatório/TCU)

Subfinanciamento federal afasta estados do plano

O documento ainda detalha que a baixa participação da União no financiamento da segurança pública compromete a adesão dos estados ao plano. Em 2025, por exemplo, menos de 10% dos recursos aplicados na área vieram da esfera federal.

TCU argumenta que baixa participação do governo federal nos investimentos em segurança pública compromete a adesão a um plano de nível nacional. TCU argumenta que baixa participação do governo federal nos investimentos em segurança pública compromete a adesão a um plano de nível nacional.

O escanteamento não ocorre apenas nas contas: durante uma reunião entre gestores estaduais de segurança pública, todos afirmaram que não se viram incluídos nas discussões sobre o plano, sendo que 75% consideraram a participação insuficiente e 25%, totalmente insuficiente.

"Segundo os participantes, essa fragilidade contribui para problemas como dificuldades de alinhamento dos planos estaduais ao PNSP, desconsideração da capacidade operacional dos entes, ausência de metas aderentes às realidades locais, inexistência de métricas de esforço e lacunas relacionadas a temas de interesse específico dos estados", diz o relatório.

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