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O Ministério da Saúde informa que, em março, o governo distribuirá 30 milhões de vacinas. Mas o chefe da pasta, Eduardo Pazuello, fala que número pode ficar entre 25 milhões ou 28 milhões.| Foto: Victoria Jones/AFP

O governo federal prevê entregar 77,7 milhões de vacinas entre março e abril, período que deve ser um dos mais turbulentos e críticos da pandemia. É o que informa o Ministério da Saúde com base em dados atualizados até a noite de segunda-feira (8). Até junho, o número pode saltar para 183,8 milhões. Com os 16,9 milhões de imunizantes entregues entre janeiro e fevereiro, a União planeja chegar ao fim do primeiro semestre com 200,7 milhões de doses compradas.

Os 77,7 milhões levam em consideração um total de 30 milhões de doses esperadas para março e 47,7 milhões previstas para abril. O número de março, contudo, pode ser menor. Os dados baseados pela Gazeta do Povo são oficiais da pasta, tendo sido respondidos à noite pela assessoria de comunicação, mas o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, disse na tarde de quarta-feira (10) que a quantidade pode ficar entre “22 a 25 milhões”.

“Nós temos garantidas para março entre 22 e 25 milhões de doses, podendo chegar até 38 milhões de doses. São números realmente impactantes e que vão fazer a diferença na nossa campanha de vacinação", disse Pazuello durante cerimônia no Palácio do Planalto. Ele disse que a previsão inferior à anunciada inicialmente não representa uma diminuição, e sim uma garantia inicial com “possibilidade de ir além“.

Os 30 milhões informados oficialmente pela pasta até são 600 mil superior em relação a um dado anterior obtido pela Gazeta do Povo, na última quinta-feira (4).

Em março, a projeção é da entrega de 3,8 milhões de doses da inglesa AstraZeneca/Oxford pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e de 23,3 milhões da chinesa Coronavac/Sinovac entregues pelo Instituto Butantan. Na quinta (4), a informação era de que seriam obtidos 22,7 milhões de imunizantes. Os 600 mil adicionais no levantamento mais recente são atribuídos à "residuais de fevereiro”.

Os 2,9 milhões que fecham os 30 milhões em março serão da AstraZeneca. As doses serão distribuídas pela Covax Facility, o consórcio ligado à Organização Mundial da Saúde (OMS). Os imunizantes virão da Coreia do Sul.

Como se compõe a remessa de vacinas esperada para abril

Os 47,7 milhões de imunizantes previstos para abril são contemplados por 15,7 milhões de doses da Coronavac e 32 milhões da AstraZeneca. Dessas, 2 milhões serão importados da Índia e 30 milhões são de produção nacional, com apenas o ingrediente farmacêutico ativo (IFA) — a tecnologia da produção da matéria-prima — sendo importado.

Ainda em abril, é possível que o governo federal conte com mais doses da Covax, como em março. A questão é que, segundo informa o Ministério da Saúde, “até maio” são esperados 6,1 milhões de doses. Pela imprevisibilidade do número exato a ser recebido no próximo mês, não entra nos cálculos do segundo bimestre do ano.

Os 77,1 milhões de doses levam em consideração apenas os imunizantes com contrato firmado pelo Ministério da Saúde e que tenham tido o uso emergencial aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Por esse motivo, não entram na conta as até então previstas 16 milhões de doses da indiana Covaxin/Barat Biotech entre março e abril.

O governo firmou o contrato com o laboratório responsável pela Covaxin, o Precisa Medicamentos, em 25 de fevereiro. Mas, no último sábado (6), o Ministério da Saúde confirmou que o Brasil não receberá as 8 milhões de doses previstas para março. Por isso, as 8 milhões de doses previstas para abril também não foram contabilizadas. A informação mais recente do ministério é que “as 20 milhões de doses importadas da Índia [serão entregues] no primeiro semestre de 2021”.

As 16 milhões de vacinas da Covaxin até então previstas para março e abril, bem como as 4 milhões projetadas para maio, entram, contudo, na conta dos 183,8 milhões que podem ser entregues até junho. Neste montante, a Gazeta do Povo considerou a possibilidade da entrega de todos os imunizantes contratados até o encerramento do primeiro semestre.

Como a conta fecha em 183,3 milhões de doses de vacinas até junho

Entre maio e junho, o Ministério da Saúde espera, ainda, por outras 80 milhões de doses. São 54 milhões da AstraZeneca, 12 milhões do Butantan e 14 milhões da Pfizer/BioNtech (leia mais abaixo). Ou seja, somadas às 77,7 milhões esperadas para março e abril, o Brasil chegaria a 157,7 milhões.

Os 183,8 milhões de doses esperados entre março e junho seriam atingidos com as 20 milhões de doses da Covaxin previstas até junho e as 6,1 milhões de doses da AstraZeneca importadas da Covax Facility.

O montante de imunizantes se somaria aos 16,9 milhões entregues entre janeiro e fevereiro. Sem produção nacional, o governo importou da Índia 4 milhões de vacinas da AstraZeneca no primeiro bimestre. As 12,9 milhões restantes vieram da Coronavac, sendo 8,7 em janeiro — das quais 6 milhões foram importadas da China — e 4,2 milhões em fevereiro, todas já com produção nacional.

Para o segundo semestre, 198,2 milhões de doses; outras 161 milhões podem ser distribuídas

Para o segundo semestre, são esperadas outras 198,2 milhões de doses pelos contratos já fechados. Desses, 33,5 milhões de vacinas da AstraZeneca advindas da Covax Facility, 36,1 milhões do Butantan e 128,6 milhões da AstraZeneca. Desse total, são esperados para julho 18,6 milhões de imunizantes entregues pela Fiocruz e 13,5 milhões pelo Instituto Butantan.

O número de vacinas no Brasil em 2021 pode ser ainda maior. Além das 183,8 milhões esperadas para o primeiro semestre e as 198,2 milhões previstas para o segundo — o que totaliza 382 milhões —, são esperadas outras 161 milhões de doses ao longo do ano.

Entre abril e junho, o governo negocia 10 milhões de vacinas da russa Sputnik V/Instituto Gamaleya. A Pfizer/BioNtech deve entregar 100 milhões de imunizantes ao governo — dos quais estão os 14 milhões contratados para maio e junho. Já a belga Janssen, o braço farmacêutico da Johnson & Johnson, deve entregar 16,9 milhões entre julho e setembro e 21,1 milhões entre outubro e dezembro.

Outras 13 milhões de doses viriam da norte-americana Moderna. O governo negocia a compra de 3 milhões entre julho e setembro, e outras 10 milhões entre outubro e dezembro.

Nesta quarta-feira, o presidente Jair Bolsonaro prometeu encerrar 2020 com pelo menos 400 milhões de doses de vacinas anti-Covid para imunizar a população brasileira.

Saúde distribuirá Coronavac semanalmente em março

O Ministério da Saúde distribuirá semanalmente em março as 23,3 milhões de doses da Coronavac produzidas pelo Instituto Butantan. Para esta semana, um novo lote, com 2,6 milhões de doses, está previsto para ser distribuído para os estados e municípios.

“Assim que os imunizantes são entregues ao Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação contra a Covid-19 (PNO), o Ministério da Saúde organiza a divisão de forma proporcional e igualitária aos estados e Distrito Federal”, informa a pasta. “Posteriormente, as doses são enviadas às Unidades da Federação, responsáveis por distribuir as vacinas a todos os municípios brasileiros”, acrescenta.

As previsões de entrega das 30 milhões de doses previstas para março são enviadas à pasta pelos fornecedores dos imunizantes e estão sujeitas a alterações, de acordo com a disponibilidade dos laboratórios e a real quantidade de doses entregues, "Que pode variar conforme o ritmo de produção dos insumos”, destaca a pasta.

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