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Crise no Irã

Governo silencia sobre repressão no Irã, mas exalta prontamente premiação de filme

Os protestos no Irã deixaram centenas de mortos, alerta ONG.
Os protestos no Irã deixaram centenas de mortos, alerta ONG. (Foto: Reprodução/X/Iran Human Rights)

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O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) optou pelo silêncio diante da escalada de protestos e da repressão violenta no Irã, enquanto se manifestou rapidamente para celebrar a vitória do filme “O Agente Secreto” em duas categorias do Globo de Ouro, neste final de semana, com uma nota emitida já nas primeiras horas desta segunda-feira (12).

O Irã mergulhou em uma grave crise no final do ano passado, em meio a uma das maiores ondas de protestos contra o regime do aiatolá Ali Khamenei em décadas, inclusive cortando o acesso à internet no país desde a semana passada. Entidades de direitos humanos falam em mais de 600 mortos no país.

No Brasil, no entanto, até a tarde desta segunda-feira (12), o Ministério das Relações Exteriores não havia se pronunciado sobre a situação no país persa. A Gazeta do Povo procurou o governo desde a manhã e aguarda retorno.

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As relações entre o Brasil e o Irã sob Lula são marcadas por uma diplomacia sem condenações diretas ao regime teocrático do país do Oriente Médio. Lula chegou a enviar o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) ao Irã para representar o governo brasileiro na posse do presidente iraniano Masud Pezeshkian, em 2024.

Em fóruns internacionais, em ocasiões passadas, o Planalto evitou críticas abertas mesmo quando líderes globais endureceram o tom. Na última cúpula do G7, em junho de 2025, Lula condenou ataques de Israel ao Irã e ao que chamou de “matança indiscriminada” em Gaza, mas não responsabilizou o governo iraniano por suas próprias ações.

O Brasil também se absteve em votações relevantes da ONU que condenavam violações de direitos humanos, incluindo a repressão a mulheres e manifestantes.

A postura foi reforçada quando autoridades iranianas agradeceram publicamente o Brasil pelo apoio contra Israel e os Estados Unidos em 2025. O gesto consolidou a imagem de uma aproximação diplomática em um momento de isolamento do regime.

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As manifestações no Irã começaram em 28 de dezembro de 2025 em meio à inflação de 40%, à forte desvalorização do rial e à alta de alimentos e combustíveis. O movimento evoluiu rapidamente de pautas econômicas para pedidos de mudança política e fim do regime teocrático, com jovens liderando as mobilizações por mais liberdades civis e contra a opressão institucional.

Silêncio sobre o Irã

O governo brasileiro, no entanto, mantém silêncio sobre a situação no Irã. Na página de comunicados oficiais do Ministério das Relações Exteriores (MRE), não há nenhuma mensagem relativa aos conflitos. A mais recente parabeniza a cultura brasileira pela vitória no Globo de Ouro.

“O MRE cumprimenta o diretor Kleber Mendonça Filho, a produtora Emilie Lesclaux, a equipe do filme "O Agente Secreto" e o ator Wagner Moura. Esse reconhecimento internacional reafirma a excelência do cinema brasileiro e sua capacidade de dialogar com públicos em todo o mundo”, afirmou em nota.

A pasta seguiu afirmando que atua na “internacionalização do audiovisual brasileiro, promovendo obras nacionais em festivais e premiações globais”. “No caso de ‘O Agente Secreto’, o Ministério apoiou a campanha junto aos postos do Brasil no exterior, reforçando o compromisso institucional do Itamaraty de projetar a cultura brasileira no cenário internacional, completou.

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