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Op. Compliance Zero 3

Grupo de Vorcaro é investigado por acessar dados da PF, MP e Interpol

Daniel Vorcaro
O banqueiro Daniel Vorcaro, do liquidado Banco Master. (Foto: Márcio Gustavo Vasconcelos/Wikimedia Commons)

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A deflagração da terceira fase da Operação Compliance Zero, na manhã desta quarta (4), revelou que a equipe do banqueiro Daniel Bueno Vorcaro, controlador do liquidado Banco Master, não apenas operava fraudes bilionárias, mas mantinha uma estrutura de inteligência paralela capaz de se infiltrar nos sistemas mais sensíveis da segurança nacional e internacional.

O ponto mais crítico detalhado na decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), é o acesso indevido a bancos de dados sigilosos. O principal operador desse núcleo – Felipe Mourão, conhecido pelo codinome "Sicário" –, é acusado de utilizar credenciais funcionais de terceiros para realizar consultas e extrações de dados em sistemas restritos.

De acordo com as investigações da Polícia Federal, o alcance de sua atuação rompeu as fronteiras brasileiras: ele teria obtido acesso indevido a sistemas da própria Polícia Federal, do Ministério Público Federal e de organismos internacionais de elite, como a Interpol. Essa capacidade de monitoramento permitia que a organização criminosa antecipasse diligências investigativas e “neutralizasse riscos”, garantindo uma sobrevida aos ilícitos do grupo.

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Para viabilizar essa estrutura, Vorcaro contava com o suporte de um grupo informal de mensagens denominado "A Turma". Sob a liderança operacional de dois de seus agentes, um policial aposentado usava sua expertise e contatos para vigilância clandestina. Segundo Mendonça, o grupo funcionava como uma verdadeira “milícia privada”.

“Tais acessos teriam ocorrido mediante utilização de credenciais funcionais pertencentes a terceiros, permitindo a obtenção de informações protegidas por sigilo institucional”, escreveu o ministro.

A Gazeta do Povo procurou a defesa de Daniel Vorcaro desde cedo e aguarda retorno.

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A investigação aponta que as ordens de monitoramento partiam diretamente de Daniel Vorcaro. O alvo não eram apenas autoridades, mas qualquer um que pudesse prejudicar os interesses do Banco Master.

“Foi identificado que o investigado participava de tratativas destinadas à obtenção de dados pessoais e institucionais de autoridades, jornalistas e outros indivíduos considerados de interesse da organização, repassando tais informações a integrantes do grupo responsável pela tomada de decisões estratégicas”, completou Mendonça na decisão.

Vorcaro foi preso em São Paulo junto do cumprimento de outros três mandados de prisão preventiva e 15 de busca e apreensão no próprio estado e em Minas Gerais.

O cunhado dele, o empresário e pastor Fabiano Zettel, também é procurado pela Polícia Federal. A defesa dele informou que ele se entregará às autoridades ao longo do dia.

Ainda em meio à operação, dois servidores de carreira do Banco Central foram afastados das funções públicas por envolvimento com o banqueiro.

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