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Caso Master

Jaques Wagner procurou Mendonça antes de operação da PF

Jaques Wagner
Senador quis apresentar ao ministro do STF sua versão da relação que tinha com o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. (Foto: Pedro França/Agência Senado)

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Dias antes de ser o principal alvo da nona fase da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, o senador Jaques Wagner (PT-BA) procurou o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), para explicar sua relação com o banqueiro preso Daniel Vorcaro, dono do liquidado Banco Master. A investigação aponta que o parlamentar teria recebido vantagens financeiras para atuar a favor do empresário no Congresso.

O encontro, revelado nesta terça-feira (30) pelo jornal O Globo e confirmado pela Gazeta do Povo com fontes a par da investigação, ocorreu uma semana antes da deflagração da operação que cumpriu mandados de busca e apreensão nas residências do senador em Brasília e em Salvador. Em ambas, a Polícia Federal apreendeu o equivalente a R$ 471 mil em notas de dólar e euro.

A reportagem apurou que outras pessoas ligadas ao governo também procuraram Mendonça para falar do avanço das investigações envolvendo o Banco Master, o que gerou uma forte desconfiança dos investigadores da Polícia Federal.

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Segundo as apurações, Wagner buscou apresentar pessoalmente sua versão dos fatos sobre a relação com o ex-sócio de Vorcaro, o empresário Augusto Lima, sobre as supostas irregularidades nos contratos firmados por sua nora, Bonnie de Bonilha, com empresas ligadas ao Banco Master e voltou a defender a implantação do Credcesta na Bahia.

Na decisão que autorizou a operação, Mendonça afirmou que Augusto Lima “atuou como canal de interlocução” entre o senador e Vorcaro em assuntos considerados estratégicos para o Master, como o andamento das articulações para a instalação de uma CPI no Congresso, a tentativa de venda da instituição ao Banco de Brasília (BRB), posteriormente barrada pelo Banco Central, entre outros assuntos.

De acordo com a Polícia Federal, a relação entre Wagner e Augusto Lima seria marcada por “elevado grau de confiança pessoal”, o que teria “criado ambiente propício à realização de tratativas reservadas em prol da defesa de interesses privados do Banco Master”.

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As investigações também apontam que, em 2018, Augusto Lima participou de articulações relacionadas à privatização da Empresa Baiana de Alimentos (Ebal), quando Wagner ocupava cargo no governo da Bahia. Após o primeiro leilão não atrair interessados, o empresário sugeriu a inclusão de um cartão de benefícios consignado no edital, iniciativa que deu origem ao Credcesta, posteriormente vinculado ao Banco Master.

A Polícia Federal ainda identificou indícios de que o senador teria recebido pagamentos do Banco Master por meio da empresa de sua nora, realizado viagens frequentes em aeronaves de empresas ligadas a Vorcaro e sido beneficiado com um apartamento em Salvador avaliado em R$ 2,45 milhões. Após a operação, Jaques Wagner reconheceu que o imóvel foi comprado por Augusto Lima, mas afirmou que seria destinado à sua filha.

Em relação ao dinheiro encontrado em suas residências, Jaques Wagner justificou afirmando que seriam de diárias de viagem pagas pelo Senado e pela compra de moeda estrangeira legalmente.

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