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Acima do teto

Judiciário e MPs acumulam 60 tipos diferentes de “penduricalhos”, diz Transparência Brasil

Conversão de folgas em dinheiro não entra no limite imposto pelo teto constitucional.
Conversão de folgas em dinheiro não entra no limite imposto pelo teto constitucional. (Foto: Gustavo Moreno/STF)

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Um monitoramento da organização Transparência Brasil encontrou, nos contracheques dos servidores do Judiciário e dos Ministérios Públicos de todo o país, cerca de 60 categorias diferentes de benefícios que fazem a remuneração mensal superar o teto constitucional de R$ 46.366,19, os chamados "penduricalhos". A informação foi inicialmente divulgada pelo jornal O Globo e confirmada pela Gazeta do Povo por meio do sistema DadosJusBr, mantido pela organização.

A falta de padronização fez com que se chegasse a cerca de 3 mil nomes diferentes de auxílios. Nomes genéricos, como "licença-compensatória" ou "conversão de licença em pecúnia", dificultam a diferenciação da natureza dos pagamentos, se são remuneratórios ou indenizatórios. Outros chamam a atenção pelo objetivo: a "diferença de entrância" é paga aos juízes que são transferidos para uma comarca maior.

O tema voltou ao debate público após o Congresso Nacional aprovar um projeto de lei que instituiu uma série de benefícios aos servidores do Senado e da Câmara. Caso não usufruíssem dos benefícios, os servidores receberiam as chamadas verbas indenizatórias, compensando em dinheiro a renúncia. As verbas não seriam atingidas pelo abate-teto, que desconta das folhas de pagamento todo o valor que excede o teto constitucional.

A manobra chamou a atenção do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino, que suspendeu os "penduricalhos" não apenas no Legislativo, como em todos os três poderes. Na decisão, o ministro ironiza criações como "auxílio-peru" e "auxílio-iPhone".

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Aprovada no Congresso para seus servidores, a licença compensatória concede dias de folga a servidores que acumulam funções. No Legislativo, a proposta era conceder um dia de folga a cada três dias trabalhados. O servidor, porém, poderia se negar a tirar a folga e continuar trabalhando, pelo que receberia uma indenização. Esse é o penduricalho mais caro do sistema de Justiça, por exemplo. Foram R$ 819 milhões apenas ao Judiciário entre julho de 2023 e outubro de 2024.

Os servidores que não faltam ao trabalho também são recompensados, por meio de uma licença-prêmio de três meses a cada cinco anos. Entre 2019 e 2022, o Ministério Público da União (MPU) pagou R$ 486,6 milhões aos servidores que abriram mão do benefício.

Os auxílios também não entram no teto constitucional. Além dos tradicionais auxílio-moradia e auxílio-alimentação, passando pelo não tão comum auxílio-saúde, há exemplos mais polêmicos, como o auxílio-livro, o auxílio-informática, o auxílio-telefonia e o auxílio-paletó.

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