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Relações políticas

Kassab diz que Tarcísio não pode ser submisso a Bolsonaro; PSD sinalizou candidato próprio contra Flávio

Gilberto Kassab
Gilberto Kassab tenta viabilizar terceira via com mais um presidenciável no PSD. (Foto: Reprodução/Instagram Gilberto Kassab)

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Após sinalizar a intenção de lançar um candidato próprio à presidência nas eleições deste ano e esfriar o apoio a nomes ligados diretamente ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), o presidente do PSD, Gilberto Kassab, afirmou que o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), não pode adotar uma postura de submissão ao aliado que o fez ser conhecido politicamente. Para Kassab, a gratidão é necessária, mas a construção de uma identidade política própria é indispensável para quem governa o maior estado do país e pensa em voos mais altos.

Na avaliação de Kassab, Tarcísio ganhou projeção nacional com o apoio de Bolsonaro, mas precisa deixar claro que não governa sob tutela política. O governador paulista tem reiterado publicamente que será candidato à reeleição em São Paulo, embora seja citado por setores do mercado financeiro como o nome mais competitivo da direita para a disputar contra a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

“[Tarcísio] tem que estar sempre mostrando qual foi a importância do ex-presidente Bolsonaro na sua carreira, na sua eleição de governador... Mas é fundamental que ele tenha a sua identidade. Uma coisa é gratidão, reconhecimento, lealdade, outra coisa é submissão”, afirmou Kassab em entrevista ao UOL nesta quinta (29).

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A declaração foi feita dois dias após Kassab filiar ao PSD o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, que deixou o União Brasil com o objetivo de se viabilizar como candidato à Presidência da República. O movimento foi interpretado como um distanciamento do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), nome apontado por Jair Bolsonaro como possível representante da direita na disputa nacional.

Além de Caiado, o PSD reúne outros governadores cotados como pré-candidatos, como Eduardo Leite, do Rio Grande do Sul, e Ratinho Jr., do Paraná. Kassab já indicou que o partido apoiará aquele que apresentar melhor desempenho nas pesquisas, com a estratégia de oferecer uma alternativa de centro-direita à polarização entre o presidente Lula e aliados de Bolsonaro.

“Olha, eu desde o início da gestão, eu tenho essa postura. Em primeiro lugar, de respeito ao ex-presidente Bolsonaro, que inquestionavelmente é um grande líder, as próprias pesquisas mostram isso. Mas eu tenho dito sempre ao Tarcísio, e eu acho que esse é o pensamento dele também, que é muito importante os gestos dele, as ações dele de reconhecimento, de gratidão, porque isso mostra caráter, e ele é um bom caráter”, ressaltou Kassab.

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Kassab ocupa desde 2023 o cargo de secretário de Governo e Relações Institucionais do Estado de São Paulo, indicado por Tarcísio, atuando na prática como um dos principais articuladores políticos do governo paulista. Ao mesmo tempo, o PSD mantém presença na Esplanada dos Ministérios, com três pastas no governo Lula.

“É importante que uma personalidade como ele, que é governador de São Paulo, que legitimamente tem as pretensões de comandar o país um dia, e, se não tem, muita gente no Brasil quer que ele tenha, ele precisa mostrar que tem a sua identidade”, completou o dirigente partidário.

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