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Na entrevista coletiva

Kleber Mendonça e Wagner Moura criticam Bolsonaro depois de vitória no Globo de Ouro

O diretor Kleber Mendonca Filho e a produtora Emilie Lesclaux posam na sala de imprensa do Globo de Ouro. Kleber e Wagner Mourra lembram de Bolsonaro. (Foto: Chris Torres / EFE)

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Vencedores do Globo de Ouro pelo filme “O Agente Secreto” criticaram o ex-presidente Jair Bolsonaro após receberem seus prêmios. Tanto o diretor Kleber Mendonça Filho quanto o ator Wagner Moura citaram com dureza Bolsonaro em suas entrevistas a jornalistas que sucederam o anúncio da vitória.

O diretor Kleber Mendonça Filho falou de Bolsonaro ao atender jornalistas na sala de imprensa. O cineasta ligou seu filme — que traz a narrativa de um episódio ligado ao período da ditadura militar — ao contexto político recente do país e ao governo anterior.

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"Há cerca de dez anos, o Brasil sofreu uma guinada bem drástica à direita e esses tempos se foram, com o ex-presidente Jair Bolsonaro agora preso”, disse. Ele chamou o ex-presidente de “irresponsável de forma épica” ao, de acordo com ele, não liderar o país na pandemia. Também declarou que o cinema pode ser um canal de “expressão de lutos” e das dificuldades da sociedade.

Já Wagner Moura, premiado como melhor ator, também falou de Bolsonaro em sua entrevista coletiva após a premiação. Ele declarou que Bolsonaro é um “fascista” e de “extrema direita”, dizendo que o filme é a “manifestação física dos ecos da ditadura” no Brasil.

A fala de Moura repete declarações recentes à imprensa americana. “Bolsonaro agora está na cadeia, então nos livros de história ele será o fascista eleito pelos brasileiros que tentou um golpe de Estado”, disse ele ao jornal New York Times antes do prêmio.

O governo brasileiro exaltou a conquista do prêmio internacional. Lula disse em suas redes sociais que o Globo de Ouro seria um "símbolo" da "valorização dos artistas". O Ministério das Relações Exteriores emitiu nota oficial.

“O MRE cumprimenta o diretor Kleber Mendonça Filho, a produtora Emilie Lesclaux, a equipe do filme "O Agente Secreto" e o ator Wagner Moura. Esse reconhecimento internacional reafirma a excelência do cinema brasileiro e sua capacidade de dialogar com públicos em todo o mundo”, diz o texto.

Reações

O ex-secretário especial de Cultura no governo Bolsonaro, Mario Frias, criticou Wagner Moura, chamando-o de "frango travestido de virtude", "oportunista" e "sustentado por um Estado corrupto".

“Sua indignação é seletiva e calculada: só aparece quando rende aplauso, contratos e prestígio. Quando a violência vem do lado ideológico que ele apoia, o silêncio é imediato. Perguntem o que ele acha da Palestina ou da Venezuela e vejam o milagre acontecer: a coragem desaparece”, escreveu Frias no X.

O pastor Silas Malafaia também criticou o ator. De acordo com Malafaia, “governo bom é dar aumento de 18 reais para professores e 18 bilhões para o que eles chamam de cultura”.

Financiamento público

O filme “O Agente Secreto”, vencedor de dois prêmios no Globo de Ouro neste fim de semana e escolhido para representar o Brasil no Oscar 2026, recebeu R$ 7,5 milhões do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA), administrado pela Agência Nacional do Cinema (Ancine). O repasse foi feito por intermédio de edital público.

É conhecido o ressentimento do setor cinematográfico nacional por uma suposta escassez de recursos públicos para o financiamento de audiovisual durante o governo Bolsonaro. O próprio Wagner Moura aponta que seu filme Marighella teria sido objeto de censura durante o governo Bolsonaro pela dificuldade que ele teve para financiá-lo. Em sua estreia como diretor, Moura fez sua leitura pessoal da história do guerrilheiro.

Durante suas lives semanais no Facebook, Bolsonaro declarou em 2019 ter conseguido impedir o financiamento de filmes que seriam, para ele, “dinheiro jogado fora”. "O que isso vai agregar para a cultura? Por que vai gastar dinheiro público com isso?” "Conseguimos abortar essa missão aqui", disse ao citar um dos filmes considerados desnecessários por ele.

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