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Crise entre Poderes

Líder de Lula diz houve armação de senadores para rejeitar Messias ao STF

Jorge Messias
Jaques Wagner afirma que "houve traição" no Senado ao rejeitar Messias e que alguém armou para o governo. (Foto: reprodução/Youtube Canal Gov)

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O líder do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), afirmou que o petista foi traído ao ter o nome do advogado-geral da União, Jorge Messias, rejeitado para o Supremo Tribunal Federal (STF) por uma armação de algum parlamentar. O presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), cantou a bola de que seria negado.

No começo deste mês, Messias foi rejeitado para assumir uma cadeira na Corte com 42 votos contrários e uma abstenção, mesmo tendo passado pela sabatina da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Foi a primeira vez em 135 anos que o Senado negou uma indicação da presidência da República para o STF.

“Óbvio que houve traição. Ganharam o quê? Nada. [...] Muita gente mentiu. Eu não estou procurando quem traiu porque posso fazer uma tremenda injustiça. Quem sabe essa conta é quem armou o time contrário”, disse o líder de Lula em entrevista à Folha de S. Paulo publicada nesta sexta-feira (22).

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Lula indicou Messias ao STF na vaga aberta pela aposentadoria antecipada do ministro Luís Roberto Barroso, contrariando Alcolumbre que desejava a indicação do senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG). A partir disso, o presidente do Senado passou a retaliar o governo colocando para votação projetos de lei, pautas-bomba e vetos contrários ao Planalto.

A indicação levou a um grave rompimento de Alcolumbre com Lula, que inclusive deixou de participar de cerimônias oficiais e de falar com o presidente. Jaques Wagner passou a tratá-lo como “menino zangado”.

“Muita gente [armou contra o governo]. Quando eu subi na tribuna, o Davi não falou ‘Vocês vão perder por 8’? A gente perdeu por 7”, lembrou.

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Lula quer reforçar sua prerrogativa

Jaques Wagner confirmou que Lula pretende indicar novamente Messias ao STF para reforçar a prerrogativa presidencial pelo ato, mesmo que tenha que esperar até a próxima legislatura, no ano que vem, conforme prevê o regimento interno do Senado. Para o parlamentar, o presidente ficou contrariado com a derrota.

“Teve o trauma do Rodrigo, que na minha opinião não foi bem conduzido. A prerrogativa de indicar é do presidente. Uma coisa é você negociar, outra coisa é impor”, ressaltou. Lula deseja que Rodrigo Pacheco seja seu candidato ao governo de Minas Gerais, já reiterado diversas vezes em eventos oficiais no estado. O senador ainda avalia a possibilidade.

Já a relação do petista com Alcolumbre ainda é dúvida, mas Jaques Wagner vê que ambos são políticos experientes e que pode haver uma aproximação futura.

“Não houve uma declaração de guerra entre os dois, mas há um mal-estar. O Lula é tarimbado o suficiente, eu creio que o Davi também, para saber que os presidentes da República e do Senado não podem estar não se falando. Lula não é de guardar rancor”, completou.

A reaproximação entre Lula e Alcolumbre é particularmente importante para o governo para conseguir fazer passar pautas de interesse do Palácio do Planalto às vésperas da eleição de outubro, entre elas o fim da escala 6x1, tida como principal projeto da campanha do petista à reeleição. A expectativa é de que a votação na Câmara ocorra na semana que vem, e depois, se aprovada, seja encaminhada ao Senado.

O governo também espera que Alcolumbre dê andamento à PEC da Segurança Pública, que está parada após ter sido aprovada na Câmara há mais de um mês e meio. A proposta é uma das mais importante para Lula mostrar à população que seu governo está atento ao avanço da criminalidade, a maior preocupação dos brasileiros segundo pesquisas de opinião.

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