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Mensagens encontradas pela Polícia Federal no celular da lobista Roberta Luchsinger indicam que Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, articulou uma reunião do governador do Maranhão, Carlos Brandão (MDB-MA), no Palácio do Planalto em maio de 2024. Segundo apuração publicada neste final de semana pelo Estadão e Poder360, Roberta também afirmou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) iria “prosseguir com a liberação da obra” de interesse do governador.
Segundo a apuração, a Polícia Federal investiga suspeitas de tráfico de influência envolvendo Roberta e Lulinha, além da atuação da lobista em favor do empresário Cleber Ribas. Investigadores apontam que ela intermediava contratos da empresa de Ribas, a 3Structure, com órgãos do governo do Maranhão e também buscava espaço para o empresário no governo federal.
A defesa de Lulinha classificou a divulgação das informações como “vazamento criminoso” e afirmou que a investigação estaria sendo utilizada para interferir no processo eleitoral, sem apresentar provas de envolvimento do filho do presidente. A defesa de Cleber Ribas, por sua vez, declarou que ele e a 3Structure não tiveram contrato com a Dataprev nem “mantém ou manteve qualquer relação comercial com Fábio Luís Lula da Silva”.
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As apurações do Estadão e Poder360 apontam que, em 22 de maio de 2024, Roberta avisou Lulinha que Brandão iria ao Planalto para uma reunião com Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, então chefe de gabinete de Lula.
“Brandão hoje vai lá no palácio, que seu pai falou que vai prosseguir com aquela liberação da obra dele”, afirmou a lobista, segundo a transcrição feita pela Polícia Federal.
Na mesma mensagem, Roberta disse que Lulinha havia conseguido a agenda e sugeriu que ele aproveitasse o encontro para “fazer uma moral” com o governador. O registro oficial da presidência aponta uma reunião de Brandão com Marcola e outros dois assessores presidenciais naquele dia, sob o tema “Reunião Executiva”.
Um mês depois, em 21 de junho, Lula esteve em São Luís e anunciou um pacote de R$ 59 bilhões em obras do Novo PAC no Maranhão. Entre os projetos estavam a renovação da concessão do Porto do Itaqui, um novo berço do terminal e um corredor de transporte na Avenida Litorânea, principal via da capital maranhense.
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A investigação também rastreou negócios da 3Structure, empresa de Cleber Ribas, que fechou R$ 5,8 milhões em contratos com o governo do estado em 2024. Entre março daquele ano e dezembro de 2025, Ribas teria pago pelo menos R$ 2,5 milhões a Roberta Luchsinger pelos serviços de intermediação.
No governo federal, a 3Structure firmou dois contratos com o Ministério do Desenvolvimento Social (MDS), de R$ 14,4 milhões e R$ 19,2 milhões, em dezembro de 2023 e abril de 2024. A Polícia Federal identificou mensagens que apontariam a atuação de Roberta também na defesa dos interesses da empresa junto à pasta e a outros órgãos federais.
Em conversas com Ribas, Roberta afirmou que o “presidente do Porto” havia elogiado o empresário e dito “vamos tocar”, além de informar que “o gov autorizou tb”. Para a Polícia Federal, a referência seria Gilberto Lins e Neto, então presidente da Empresa Maranhense de Administração Portuária (Emap).
O caso também envolve relações pessoais entre Roberta, Lulinha, o deputado federal Fabio Macedo (Podemos-MA), aliado de Brandão, e Lorena Macedo, mulher do parlamentar e então subsecretária de Representação Institucional do Maranhão em Brasília. Brandão negou relação com a lobista e afirmou que sua agenda “não depende da articulação de terceiros”.
A Secretaria de Comunicação Social (Secom), do Palácio do Planalto, não respondeu às apurações. O espaço segue aberto.
Já as defesas de Marcola e Roberta Luchsinger não quiseram se pronunciar.








