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Lula alfineta Trump no Panamá e critica falta de integração dos países latinos

Lula
Presidente brasileiro citou interferências militares na América Latina e tentativas unilaterais de acordos comerciais com os EUA. (Foto: reprodução/Youtube Canal Gov)

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou nesta quarta (28) o que seria uma falta de integração dos países da América Latina por questões ideológicas de “extremismo” e de intervenções do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no continente.

Os ataques, sem mencioná-lo nominalmente, ocorreram durante seu discurso na abertura do Fórum Econômico da América Latina e Caribe, na Cidade do Panamá, onde está desde terça (27), e que citou a possibilidade de viajar a Washington no final do mês de março para mais uma reunião presencial com Trump.

“Vivemos um dos momentos de maior retrocesso em matéria de integração. [...] Voltamos a ser uma região dividida, mais voltada para fora do que para si própria. Permitimos que conflitos e disputas ideológicas alheios se imponham. As ameaças do extremismo político e da manipulação da informação se incorporam ao nosso cotidiano”, afirmou Lula no discurso lido que durou mais tempo do que o previsto.

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Lula citou que a criação de acordos para a integração dos países latino-americanos acabaram sucumbindo com o tempo, como a Unasul, entre os anos de 2003 e 2014, e a Celac que, na visão dele “não consegue produzir nem mesmo uma única declaração contra intervenções militares ilegais que abalam a nossa região” – em referência à ação dos Estados Unidos na Venezuela que prendeu o ditador Nicolás Maduro.

“Em um contexto global de ruptura da ordem liberal e do ressurgimento do protecionismo e do unilateralismo, os paradigmas endógenos ligados ao panamericanismo e ao bolivarianismo são insuficientes. [...] A proximidade geográfica com a maior potência militar do mundo é outra referência inescapável, seja pela sua presença ou pelo seu distanciamento, sobretudo num contexto de recrudescimento de tentações hegemônicas”, disparou.

Ainda no discurso, Lula fez outro ataque a Trump ao defender a neutralidade do Canal do Panamá, que entrou na mira do governo norte-americano em meio a uma disputa com a China.

“A integração em infraestrutura não tem ideologia. Por isso o Brasil defende a neutralidade do Canal do Panamá, administrado de forma eficiente, segura e não-discriminatória há quase três décadas”, alfinetou.

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O presidente petista ainda cobrou as lideranças regionais por uma “convicção” para adotar um projeto “mais autônomo de inserção internacional”, levando em conta as riquezas presentes no continente como reservas de petróleo, minerais críticos e terras raras, a floresta amazônica, entre outros.

“Não vivenciamos graves conflitos religiosos ou culturais; e contamos com uma predominância de governos eleitos democraticamente. A América Latina e o Caribe são únicos. Cabe a nós assumir que a integração possível é a que estará calcada na pluralidade de opções”, completou.

Ainda durante o discurso, Lula afirmou que o Brasil “escolheu o caminho da democracia, da paz, do multilateralismo e da integração regional” em meio a um “mundo envolto em turbulências”, e que o país conta com estabilidade política, social, econômica, fiscal e jurídica “reconhecida em todo o mundo”.

“Seguimos promovendo um comércio internacional justo, equilibrado e baseado em regras multilateralmente acordadas. Respondemos a práticas protecionistas com diálogo, firmeza e apoio a nossas empresas”, pontuou em referência à taxação de 40% imposta pelos Estados Unidos, em agosto do ano passado, a produtos brasileiros exportados para lá.

Lula ainda citou os acordos comerciais fechados entre o Mercosul e Cingapura e com a União Europeia – que está em compasso de espera após o Parlamento Europeu ter levado a parceria à Justiça – e citou suas políticas sociais como exemplos de sua governança. Também citou a possibilidade de ampliar acordos com a Índia, México, Colômbia e Equador e a implementação de seu programa Rotas de Integração Sul-Americana, como sinal de seu compromisso com a integração do continente.

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