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Lula considera entrar para Conselho da Paz de Trump, mas com representante da Palestina

Lula
Presidente petista afirma que Conselho da Paz deve ter foco apenas na reconstrução de Gaza. (Foto: André Borges/EFE)

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que considera aderir ao Conselho da Paz do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, desde que tenha um representante da Palestina e que seja focado apenas na reconstrução de Gaza. A comissão foi proposta pelo norte-americano no mês passado e causou desconfiança de parte da comunidade internacional por ter um estatuto abrangente que alguns veem como uma tentativa de substituir a autoridade do Conselho de Segurança da ONU.

Lula criticou a proposta nos atuais termos, que foram aceitos por 35 países dos 50 convidados por Trump. Entre os que aderiram, estão o presidente russo, Vladimir Putin, e o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu.

“Se o Conselho for para cuidar de Gaza, o Brasil tem todo interesse em participar. É muito estranho que não tenha um palestino na direção desse conselho. É muito estranho que a proposta que foi apresentada é mais um resort do que reconstrução de Gaza. Nós estamos dispostos a participar, mas é preciso que os palestinos estejam na mesa, senão não é uma comissão de paz”, afirmou em entrevista ao UOL nesta quinta (5).

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Lula também confirmou que viajará a Washington na primeira semana de março para uma conversa “olho no olho” com Trump e que todos os temas estão na mesa para serem discutidos, menos a “soberania” do Brasil, que ele considera como “sagrada”.

“Nós somos o presidente das duas maiores democracias do Ocidente. [...] Nós temos que sentar numa mesa, olhar um no olho do outro”, disse ressaltando que aceita discutir parcerias industriais, exploração de minerais críticos, investimentos e ampliação de exportações. “A única coisa que eu não discuto é a soberania do meu país. Essa é sagrada”, completou.

O presidente petista e Trump conversaram por cerca de 50 minutos na semana passada, em que abordaram a visita de Lula aos Estados unidos, a situação da Venezuela e o Conselho da Paz, além do combate ao crime organizado. Em relação ao país vizinho, ele afirmou que a preocupação agora não é se o ex-ditador Nicolás Maduro voltará ou não a Caracas, mas sim o fortalecimento da democracia.

“Essa [a volta de Maduro] não é a preocupação principal. A preocupação principal é a seguinte: há possibilidade de a gente fortalecer a democracia na Venezuela e as 8 milhões de pessoas que estão fora de lá voltarem ao país? Há condições de a democracia ser efetivamente respeitada”, questionou.

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O presidente afirmou ainda não saber se a ditadora interina convocará eleições, mas defendeu que deve ser uma responsabilidade dos venezuelanos cuidar do processo eleitoral, mencionando ter tratado do assunto com o presidente Donald Trump.

A líder opositora venezuelana María Corina Machado disse nesta quinta que pode haver eleições democráticas na Venezuela em menos de um ano, embora ainda não tenha discutido o assunto com o presidente dos EUA, Donald Trump.

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