Encontre matérias e conteúdos da Gazeta do Povo
Evento do MST

Lula diz estar “indignado” com operação militar dos EUA contra Maduro

Lula diz estar “indignado” com operação militar dos EUA contra Maduro
Em evento do MST, Lula disse estar “indignado” com a operação militar dos Estados Unidos contra Maduro. (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Ouça este conteúdo

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta sexta-feira (23) que está “indignado” com a operação militar dos Estados Unidos para derrubar o ditador da Venezuela, Nicolás Maduro. A declaração ocorreu durante o 14º Encontro Nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).

“Eu fico toda a noite indignado com o que aconteceu na Venezuela. Não consigo acreditar. O Maduro sabia que tinha 15 mil soldados americanos no Mar do Caribe, que todo dia tinha uma ameaça. Os caras entram à noite na Venezuela, vão ao quartel onde morava Maduro e o levam embora”, disse.

No último dia 6, Maduro e sua esposa, Cilia Flores, foram capturados e levados para os Estados Unidos, onde estão presos. “Como é possível a falta de respeito à integridade territorial de um país? Não existe isso na América do Sul. Aqui é um território de paz”, afirmou Lula.

VEJA TAMBÉM:

Maduro agradeceu o apoio do MST à "causa" venezuelana no mês passado. Após a operação dos EUA, o movimento acusou Washington de tentar "monopolizar o petróleo venezuelano". O presidente destacou que os países da América Latina podem não ter armas nucleares, mas não vão “abaixar a cabeça para ninguém”.

"A gente não tem arma, mas a gente tem caráter e dignidade e a gente não vai abaixar a cabeça para ninguém. Quem quer que seja, a gente vai conversar olho no olho, de cabeça em pé, respeitando o povo brasileiro e a nossa soberania. Isso vale para todos os países do mundo", disse.

Lula conversou com Maduro em dezembro

Aliados de longa data, Lula e Maduro estavam afastados desde as eleições venezuelanas de 2024. À época, o Conselho Nacional Eleitoral (CNE), controlado pelo regime chavista, declarou a vitória do ditador sem divulgar as atas de votação para referendar ou não o resultado do pleito.

Maduro foi acusado de fraude e reprimiu com violência os protestos contra sua manutenção no poder. O Brasil cobrou a divulgação dos comprovantes, mas enviou a embaixadora do Brasil em Caracas, Glivânia Oliveira, à cerimônia de posse. Com a falta de apoio público, Maduro chegou a ironizar Lula.

No fim do ano passado, contudo, o petista conversou por telefone, de forma sigilosa, com o ditador sobre o aumento da tensão na região com a escalada das ações militares dos Estados Unidos. A informação foi revelada pelo blog de Janaína Figueiredo, no jornal O Globo, no dia 11 de dezembro.

Segundo a reportagem, esta foi a primeira conversa “amistosa” entre os dois em muito tempo. O objetivo seria retomar o diálogo com o regime chavista. Lula também teria demonstrado preocupação com o avanço militar dos EUA e reforçado que está disposto a ajudar a desescalar a situação.

Após a destituição de Maduro, o presidente brasileiro classificou a ação americana como uma “afronta gravíssima” à soberania da Venezuela. "Atacar países, em flagrante violação do direito internacional, é o primeiro passo para um mundo de violência, caos e instabilidade, onde a lei do mais forte prevalece sobre o multilateralismo", disse, em nota, na ocasião.

VEJA TAMBÉM:

Principais Manchetes

Receba nossas notícias NO CELULAR

WhatsappTelegram

WHATSAPP: As regras de privacidade dos grupos são definidas pelo WhatsApp. Ao entrar, seu número pode ser visto por outros integrantes do grupo.