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O presidente Lula (PT) usou um documento publicado pela Casa Branca nesta quarta-feira (1º), que menciona críticas de empresas de cartão de crédito ao Pix, para sair em defesa do sistema automático de pagamentos. Ele não iria abordar o tema, mas foi lembrado pelo ministro-chefe da Secretaria de Comunicação Social da Presidência, Sidônio Palmeira. "Não esqueça de falar do Pix", disse.
"Os Estados Unidos fizeram um relatório esta semana sobre o Pix, e ele disse que o Pix distorce o comércio internacional, porque o Pix acho que cria problema para a moeda dele. O que é importante a gente dizer para quem quiser nos ouvir: o Pix é do Brasil e ninguém vai fazer a gente mudar o Pix, pelo serviço que ele está prestando à sociedade brasileira", disse Lula, durante evento em Salvador nesta quinta-feira (2).
O relatório mencionado por Lula detalha que representantes do setor bancário nos Estados Unidos "têm manifestado preocupação de que o Banco Central favoreça o Pix, o que colocaria em desvantagem fornecedores norte-americanos de serviços de pagamento eletrônico". "Além disso, o Banco Central exige que instituições financeiras com mais de 500 mil contas adotem o uso do Pix", complementa.
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O Pix tem sido utilizado como parte do discurso de soberania nacional. Em agosto de 2025, um mês após o presidente Donald Trump anunciar tarifas adicionais a produtos do Brasil, o governo mudou seu slogan. O "União e Reconstrução", pensado para sugerir desmontes durante o governo de Jair Bolsonaro (PL) e fazer referência às alianças, foi trocado para "Do Lado do Povo Brasileiro".
O contexto das tarifas ainda rendeu aos petistas a recuperação do boné azul com a frase "O Brasil é dos brasileiros", um contraponto ao acessório utilizado por apoiadores de Trump com a frase "Make America Great Again" (façamos a América grande de novo).
O discurso de soberania, no entanto, teve de ser substituído pelo tom de "doa a quem doer", apontando para autonomia da Polícia Federal (PF), após os escândalos de fraudes em descontos associativos no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) tocarem o governo, levando a afastamentos no Ministério da Previdência e à menção, nos relatórios, a Fábio Luís Lula da Silva, o "Lulinha", e a Frei Chico, irmão do presidente.








